sexta-feira, 1 de março de 2013



SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 1939 a 1945

“Sangue, suor e lágrimas ...”



Apresentação:
As operações militares da Segunda Guerra Mundial se estenderam da invasão da Polônia pela Alemanha nazista, a 1/9/ 1939, até a assinatura da rendição incondicional do Japão, em 2/9/1945, provocando 45 milhões de mortos, 35 milhões de feridos e 3 milhões de desaparecidos. Nessas operações militares se defrontaram as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e as potências Aliadas (Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética). Com a invasão alemã à Polônia em 1939 e o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, duas guerras paralelas, mas relacionadas entre si, compuseram o quadro do novo conflito mundial: a primeira teve como palco principal a Europa, onde a União Soviética desempenhou um papel preponderante vencendo a Alemanha, e a segunda se desenrolou no Oceano Pacífico, onde os Estados Unidos se destacaram derrotando o Japão. Quanto à sua evolução, o curso da guerra desdobrou-se em três fases: as vitórias do Eixo (1939-1941), o equilíbrio de forças (1941-1943) e as vitórias dos Aliados (1943-1945).

Introdução:
Seria muito simplista do ponto de vista da História entendermos as 2 grandes guerras do inicio do séc. XX apenas pelo descrever das batalhas, datas, biografias dos personagens, mortes e conseqüências. Estes dois acontecimentos Históricos são muito mais complexos do que pensamos por abranger valores culturais diversos, ressentimentos seculares, mostrar o retrato da sociedade de uma época, etc . É temerário abordarmos as grandes guerras sem considerarmos aspectos como: o sentimento nacionalista, as políticas do imperialismo, o nazifascismo, o cenário econômico antes e após crise de 1929, as doutrinas socialista e capitalista. Deste “caldo” de eventos os entrelaçamentos e desdobramentos formam as histórias pessoais dos sujeitos históricos, ao da localidade, da nação e do mundo. De certo foi que as pendengas das disputas imperialistas entre as potencias européias não cessaram com o final da Primeira Guerra de 1914 a 1918. As condições firmadas pelos tratados de paz, principalmente o Tratado de Varsalhes, impondo pesados ônus aos derrotados contribuíram mais para o acirramento dos ânimos do que necessariamente para estancar o sentimento de revanche, contaminando com a discórdia as relações entre os países. Exemplo típico foi a Alemanha, apesar de duramente atingida pelo tratado de Versalhes foi pela força econômica dos grandes monopólios industriais que consegue recuperar-se, reiniciar o processo expansionista e retomar a militarização para lutar pelos mercados mundiais. Agora alimentada pelo sentimento de revanche que levaria o mundo a uma nova guerra mundial sem precedentes na história.
Contudo para tentar entender o “caldo” que constituiu a Segunda Guerra Mundial precisamos acrescentar outros ingredientes, pois o cenário da época é assinalado por importantes acontecimentos econômicos e políticos que interferem no contexto.
Vejamos.
A crise do capitalismo de 1929 abalou a confiança em vários governos liberais (democráticos) europeus e desestabilizou o poder constituído. Paralelamente a crise do capitalismo a ascensão do “perigo vermelho” do socialismo, fortalecido pelo advento da Revolução Bolchevique de 1917, alcança elevado nível de temor entre os grandes centros capitalistas, fato que justificava a retomada de discursos autoritários nazifascistas como parte de uma nova estratégia dos capitalistas para manter os interesses econômicos através do forte controle político e incentivo ao expansionismo imperialista. Nesta conjuntura os regimes totalitários obtiveram expressiva representatividade na Alemanha, Itália e Japão. A efervescência dos discursos e programas políticos constituídos de profundo desprezo a democracia ganharam espaço e destilavam seu veneno sobre a população que passou a considerar o nazifascismo como uma possibilidade viável.O crescimento do nazifascismo só pode ser explicado a partir do medo dos capitalistas face ao crescimento do socialismo soviético e o aumento da luta de classes nos países. Portando se a Segunda Guerra é a continuidade da Primeira Guerra, por sua natureza imperialista podemos afirmar que o nazifascismo foi o ingrediente particular que corroeu a crença na democracia e tornou-se no instrumento capitalista de dupla face: retomada do expansionismo imperialista e combate ao socialismo. A compreensão torna-se mais clara quando perguntamos como pequenos partidos ultra nacionalistas obtiveram crescimento assustador em curto espaço de tempo ou quando questionamos a leniência de ingleses e franceses diante do expansionismo e remilitarização da Alemanha, da consolidação do fascismo na Itália, Espanha, Portugal, Polônia e também da ditadura do Estado Novo no Brasil.

REVENDO A DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO NAZI-FACISMO
Nazismo e Fascismo constituíram-se uma forma de governo autoritária, cujo auge deu-se na década de 1920-30 e que pretendia o estrito controle da vida nacional e dos indivíduos de acordo com ideais nacionalistas e com freqüência militaristas. Os interesses opostos seriam resolvidos mediante total subordinação ao Estado, exigindo-se uma lealdade incondicional ao líder no poder. O Nazifascismo baseia suas idéias e formas num conservadorismo extremado, constituindo-se uma ditadura capitalista de extrema-direita, produto da crise pós-I Guerra Mundial, da crise do liberalismo e do crescimento do comunismo.
Em outras palavras, o nazifascismo foi a resposta da burguesia para a grave crise que atingia o capitalismo no início do século XX. Assim, não se pode “personalizar” tais regimes: se Hitler e Mussolini não tivessem implantado suas ditaduras, outros o fariam, pois era uma exigência do grande capital. Nazismo e Fascismo são, na verdade, o mesmo fenômeno. Suas diferenças se devem, conforme veremos adiante, às diferenças históricas de cada país. O Nazismo surgido na Alemanha foi apenas uma forma mais desenvolvida de Fascismo, que se originou na Itália. A palavra Fascismo origina-se do termo latino “fasces”, nome dado a um feixe de varas amarrado a um machado, que simbolizava a autoridade à época do Império Romano. Mussolini se apropriou da palavra e deu o nome de Fascismo ao Estado forte que pretendia criar. A partir daí, o termo passou a designar uma série de estados e movimentos totalitários no período entre a I e a II Guerra Mundial (1939-45), e cujo exemplo mais extremado foi o Nazismo alemão. Para entendermos melhor esta fase tomaremos como exemplos um dos fatores fundamentais que propiciou a tragédia da 2ª Grande Guerra: O Regime Nazista.

As fontes do Nazismo não são novas. O movimento surge do resultado da fusão e da reelaboração de ideais e sentimentos antigos da sociedade alemã. Outros movimentos compartilhavam de características como: o nacionalismo extremado, o racismo e a intenção de criar uma sociedade reacionária e militarista. Mas coube ao Nazismo a prevalência em suplantar outros movimentos e conquistar o poder. A Alemanha imperial de 1870 a 1918 era uma sociedade autoritária, reacionária e militarista, e os nazistas souberam aproveitar estas características e se apropriaram desta herança para elaborar seu projeto de governo. Utilizam as idéias dos conservadores alemães que não viam bons olhos a sociedade industrial. Estes intelectuais se refugiavam em um mundo mitológico e medieval (passado heróico) para determinar que a sociedade moderna e a política só poderiam renovar-se através da arte. Com estes elementos compunham a mitologia da pureza e da escolha do povo alemão como o eleito por Deus. Nos seus discursos Hitler constantemente refere-se ao passado glorioso do Sacro Império Romano-Germânico a fim de realizar a ponte com a História dando a impressão de continuidade das glórias do povo germânico através do III Reich fundado pelo Nazismo. Mesmo o anti-semitismo – mais presente no nazismo que em outros movimentos de caráter fascista – não era uma criação original. Grupos anti-semitas pululavam em toda a Alemanha e Aústria desde o século XIX e suas ideais são encontradas na Europa em séculos anteriores.

Mas, por que tantos alemães escolheram o nazismo?
Em boa parte parece claro que muitos alemães votavam no nazismo por descrédito nas democracias, por questões políticas locais ou ainda por acreditarem nas propostas nazistas (que, diga-se de passagem, faziam parte da tradição alemã). Mas de um ponto de vista abrangente, colaborou a “fantástica” máquina de propaganda nazista. O aparato cenográfico montado impressionava a população e rapidamente os nazistas cooptaram a fúria, o desejo de vingança pela humilhação que o povo alemão passou na guerra anterior, restava um povo empobrecido e humilhado pela derrota e pela crise. Portanto não foi difícil imaginar porque os alemães não questionaram as intenções de Hitler. Os conceitos do programa Nazistas de virilidade, sangue e raça substituíram as promessas de mais empregos ou de justiça social dos partidos socialistas. Hitler não prometia a igualdade entre os indivíduos, mas a superioridade um povo de senhores, os alemães, diante de seus servos, o resto da humanidade. Pode-se imaginar o efeito devastador e multiplicador destas propostas a uma população humilhada e desesperançosa. Foi esta habilidade de manipula as emoções e os desejos das pessoas que deu popularidade à mensagem de “Her” Hitler. (Texto adaptado de: João f. Bertonha – Fascismo, nazismo, integralismo. – Editora Ática – São Paulo)

Assista este discurso de Hitler dirigido a juventude alemã e observe o teor da mensagem:

HITLER DISCURSA PARA JUVENTUDE ALEMÃ

PARA SABER MAIS!!

AS BATALHAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - SITE INTERATIVO

VAMOS EXERCITAR SEUS CONHECIMENTOS!!

EXERCÍCIOS 2ª GUERRA MUNDIAL

RESUMO - Roteiro
1 – Antecedentes (década de 30):
  • Fortalecimento de regimes totalitários nazifascistas.
  • Formação do EIXO (Roma + Berlim + Tóquio) – Pacto ANTIKOMINTERN (Anticomunismo).
  • Pacto de “Não Agressão” entre URSS e Alemanha.
  • Fracasso da política de apaziguamento da Liga das Nações.
  • Desrespeito da Alemanha ao Tratado de Versalhes. A instituição do serviço militar obrigatório. A oupação das zonas fronteiriças com a França. Incorporação da Áustria (o ANCHLUSS). Incorporação da Tchecoslováquia (nos Sudetos).
  • As invasões feitas pelo Eixo : Invasão da China (1931 - Manchúria) pelo Japão. A Invasão da Etiópia (1935) pela Itália.
  • Invasão da Polônia pela Alemanha em 1/9/1939 – início da 2ª Guerra Mundial.

2 - Fases da Guerra:
  1. 1939: “Guerra de Mentira” – preparação.
  2. 1939 – 1942: Vantagem das tropas do Eixo.
  • Ocupação da Dinamarca, Noruega, Holanda e França (BLITZKRIEG – Guerra Relâmpago).
  • França, Inglaterra e Bélgica são expulsos do continente (“Retirada de Dunquerque”).
  • Formação do governo colaboracionista de Vichy (sul da França).
  • Invasão da URSS (1941) rompendo acordo de não agressão (minérios, petróleo, cereais).
  • Ataque japonês a base americana de Pearl Harbour (1941) – Os EUA entram na guerra.
  • Expansão territorial máxima das forças do Eixo.
  1. 1942 - 1943 : Equilíbrio de Forças.
  • Batalha de Stalingrado (42-43): URSS* X ALE – 1ª frente.
  • Batalha de Midway (1943): EUA* X JAP.
  • Controle do Norte da África(Egito – 1943): Aliados* X ALE+ITA.
  • Controle do Mediterrâneo – Desembarque na Itália – 2ª frente.
     D. 1944 -1945 : a FASE FINAL – Vitória dos Aliados
  • “Dia D” (Desembarque da Normandia - 1944): A libertação da França – 3ª frente.
  • Invasão da Alemanha (maio/1945).
  • Bombas atômicas em Hiroxima e Nagasáqui (Japão – agosto/45). O fim da guerra no Pacífico.
3 - Conseqüências da II Guerra:
  • 50 milhões de mortos (20 milhões – URSS; 6 milhões – Polônia; 5 milhões – Alemanha; 1,5 milhão – Japão).
  • HOLOCAUSTO – assassinato de aproximadamente 6 milhões de judeus em campos de concentração ou de extermínio.
  • A Bipolarização mundial entre os EUA (capitalismo) X URSS (comunismo).
    • GUERRA FRIA.

Surgimento do Fascismo e do Nazismo


O período do entre - guerras (1919-1939) foi a época do descrédito e da crise da sociedade liberal. Essa sociedade, agora desacreditada, foi forjada no século XIX, com a afirmação de que o capitalismo como sistema econômico era "perfeito". As nações imperialistas européias tinham a hegemonia do mundo e, por isso, a ótica de encarar o futuro de forma entusiástica e otimista.Após a guerra a euforia e otimismo foram substituídos por um pessimismo que beirava o descontrole. Esse pessimismo era sentido entre os intelectuais de classe média, e se manifestou principalmente no antiplarlamentarismo, no irracionalismo, no nacionalismo agressivo e na proposta de soluções violentas e ditatoriais para solucionar os problemas oriundos da crise. Portanto com tais características o cenário tornou-se propício para o surgimento dos ideais nazifascistas. ......................................................................







A charge reproduz o contexto da época: "Alguém sabe qual é a saída para a Crise de 29?" "Eu, eu sei senhor!!"
A Charge acima demonstra de forma lúdica o cenário do continente europeu. A figura que responde a pergunta dizendo saber qual era o caminho para sair da crise mudaria drasticamente a História Contemporânea.  Neste ambiente de incertezas, após a crise de 1929, o futuro das nações era tenebroso. Os questionamentos sobre quais atitudes tomar para apaziguar a apatia geral não encontravam respostas confiáveis dos governos de cunho democráticos. Nesta falta de respostas das democracias em passar confiança de melhores dias surge a oportunidade que as doutrinas autoritárias precisavam para ter voz. Nazismo e Fascismo constituíram-se uma forma de governo autoritária, cujo auge deu-se na década de 1920-30 e que pretendia ter rígido controle da vida nacional e dos indivíduos de acordo com ideais nacionalistas e mais freqüentemente militaristas.


Caracterizando
Portanto autoritarismo, nacionalismo e militarismo constituiam características peculiares dos regimes totalitários. Além destas características acrescente o culto ao líder. Os interesses opostos seriam resolvidos mediante total subordinação do cidadão ao Estado, exigindo-se uma lealdade incondicional ao líder no poder. O Nazifascismo baseia suas idéias e formas num conservadorismo extremado, constituindo-se uma ditadura capitalista de extrema-direita, produto da crise pós-I Guerra Mundial, da crise do liberalismo e do crescimento do comunismo. Em outras palavras, o nazifascismo foi a resposta da burguesia para a grave crise que atingia o capitalismo no início do século XX. Assim, não se pode “personalizar” tais regimes: se Hitler e Mussolini não tivessem implantado suas ditaduras, outros o fariam, pois era uma exigência do grande capital.


Nazismo e Fascismo. Farinha do mesmo saco!
Nazismo e Fascismo foram, em princípio, o mesmo fenômeno. Suas diferenças se devem, conforme veremos adiante, às particularidades históricas de cada país. O Nazismo surgido na Alemanha foi apenas uma forma mais desenvolvida de Fascismo, que se originou na Itália. A palavra Fascismo originando-se do termo latino “fasces”, nome dado a um feixe de varas amarrado a um machado, que simbolizava a autoridade à época do Império Romano. Mussolini se apropriou da palavra e deu o nome de Fascismo ao Estado forte que pretendia criar. A partir daí, o termo passou a designar uma série de estados e movimentos totalitários no período entre a I e a II Guerra Mundial (1939-45), e cujo exemplo mais extremado foi o Nazismo alemão.

A Alemanha após a Crise de 1929 - Um terreno fértil para as idéias do Nazismo.
Vejamos primeiro a situação que se encontrava a Alemanha. A assinatura do tratado de Versalhes no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios coloniais e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os países vencedores limitaram o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o país foi obrigado a pagar pesadas indenizações de guerra que logo provocaram o colapso da economia e causaram desemprego em massa. A situação tornou-se catastrófica após a crise do capitalismo - A crise de 1929.
Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão, brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu uma larga audiência. Falava de grandeza nacional (nacionalismo) e da superioridade racial nórdica (raça superior), denunciava judeus (segregacionismo) e comunistas como aqueles que haviam apunhalado a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota. Hitler tentou um fracassado golpe denominado de "putsh" que resultou na sua prisão. Encarcerado elaborou o programa que continha a ideologia central do nazismo descrito na obra "Mein Kempf" (Minha Luta).  Através do programa intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista (Partido Nazista) com ascensão meteórica já que 1932 tinha 230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos.
Mas como explicar o crescimento exponencial de um partido "nanico"?  O crescimento do nazifascismo só pode ser explicado a partir do medo dos capitalistas face ao crescimento do socialismo soviético (o perigo vermelho) e o aumento da luta de classes nos países europeus. Pela lógica dos capitalistas era preferível viabilizar uma ditadura de extrema direita que combatia as idéias do socialismo do que perderem todo seu "capital" para as idéias de Karl Marx. Portanto foi desta forma que um pintor medíocre e cabo da Primeira Grande Guerra ganhou espaço e bem acorbertado pessoas poderosas chegou ao posto de ditador pela via diplomática. Os grandes grupos empresariais alemães e bancos dos EUA financiaram ativamente o partido nazista a exemplo da Siemens, Thyssen, Basf, Bayer entre outros.
Depois da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto. No verão deste mesmo ano, eliminou implacavelmente os rivais e, desprezando a regra de lei, estabeleceu um regime totalitário.
"Exigimos terras para alimentar o nosso povo e nelas instalar nossa população excedente". Este brado do programa do Partido Nacional Socialista (NAZI), começa a ser posto em prática. A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, expressão alemã que significa espaço vital, um dos itens principais do programa do partido nazista. Para transpor a condição de nação de segunda categoria para principal potência mundial, era primordial espaço para expandir-se, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria. Foram com estas justificativas que Hitler e o nazismo cooptaram milhões de seguidores a sua causa esquizofrênica.

O engodo de Mussolini - a Fachada para o Fascismo
Na Itália o Fascismo também encontrou um ambiente favorável. Regime político de caráter autoritário do período entre-guerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime político implantado pelo italiano Benito Mussolini. Suas principais características são o militarismo, o totalitarismo, que subordina os interesses do indivíduo ao Estado; o nacionalismo, que tem a nação como forma suprema de desenvolvimento; e o corporativismo, em que os sindicatos patronais e trabalhistas são os mediadores das relações entre o capital e o trabalho.

As ditaduras eram comuns na época - A democracia havia falhado.
Na Espanha com Francisco Franco e em Portugal com Salazar configuram como outros exemplos da proliferação dos estados totalitários na Europa. Porem esta onda de desconfiança nas democracias liberais alastra-se através do Oceano Atlântico e vem aportar no Brasil. A ditadura de Vargas imposta pelo Estado Novo configura esta característica do cenário mundial em apontar para o apoio aos regimes ditatoriais, conforme abordamos no período denominado a Era Vargas.

PARA SABER MAIS
Hitler foi o único responsável pelos desdobramentos do Nazismo? 
O processo de fascistização foi comandado e assumido pela própria sociedade alemã?
Regimes de exceção, como o Nazismo, representam anseios da sociedade? 

Entenda as respostas às perguntas acima lendo o artigo A FIGURA ESVAZIADA DE HITLER

A Crise do Capitalismo – 1929


“Dificuldades financeiras nos Estados Unidos provocam venda do Banco Merrill para o Bank of América.” (Folha 15/9/2008)
“4º maior banco dos Estados Unidos, anuncia falência” (Jornal Folha de São Paulo em 15/9/2008).
“Notícias de falências provocam fortes perdas nas Bolsas de Valores no mundo” (Jornal Estado de São Paulo 15/9/2008).
“O governo dos EUA tenta amenizar a crise fornecendo financiamento aos bancos em dificuldades”. (Jornal A Tarde 14/9/2008).
"Devemos reconhecer que isso (a crise) é um evento que acontece uma vez a cada meio século" (Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, em entrevista e rede de televisão ABC em setembro de 2008).


As manchetes e as charges acima extraídas de alguns jornais são atualíssimas e parecem ter relação com o fato que aconteceu em 1929. Em parte têm mesmo. As crises no sistema capitalista são eventuais e podemos graduá-las em leves, médias e fortes. O Modo de Produção Capitalista não é perfeito, aliás nenhum é, mas para começo de conversa o que vem a ser Modo de Produção? De forma bastante aligeirada podemos sintetizar este conceito como a forma na qual determinada sociedade organiza sua força produtiva e as suas relações de produção. Por exemplo no capitalismo as relações de produção caracterizam-se pelo trabalho assalariado e pela propriedade privada dos meios de produção. Os trabalhadores vendem sua força de trabalho para receber o "salário". O capitalista (burguês) que detém os meios para produzir algo compra a força de trabalho. O capitalismo é movido pelo lucro e suas duas principais classes socias são a buguesia e os trabalhadores assalariados. A economia deve ser regulada pela "mão invísivel do mercado" a chamada lei da oferta e da procura. O governo não deve interferir na economia. Deixa que o mercado resolve. Será??? 
A maior potência econômica da atualidade, os Estados Unidos são a referência dos migrantes do planeta em busca de oportunidades de trabalho e melhoria do padrão de vida. Contudo nem tudo são flores, pois milhões que lá vivem não desfrutam de condições satisfatórias de vida. Segundo o Censo de 2003 cerca de 12,5 por cento da população viviam abaixo da linha da pobreza. A imagem dos Estados Unidos como terra das oportunidades se formou na década de 20 do século pasado, disseminada pelo mundo através da propaganda e dos filmes de Hollywood. O “american way life” ou o estilo de vida dos Estados Unidos foi exportado como modelo ideal de sociedade a ser seguido pelos demais paises. Entretanto nem sempre a realidade corresponde à imagem e o sonho torna-se um pesadelo.
Para entender o processo da recessão econômica, conhecida como a Grande Depressão que abateu os EUA em 1929 e por tabela as demais economias do planeta é necessário retomarmos alguns pontos e associarmos as peças do quebra-cabeça.
O termino da 1ª Guerra. As nações européias saíram da 1ª Guerra Mundial com suas economias destruídas. Os Estados Unidos muito pelo contrário, conseguiram obter lucros fantásticos aumentando sua riqueza em 250 vezes. A economia foi alavancada pela exportação de armamentos, alimentos e produtos industrializados aos paises em guerra. Ao termino do conflito além dos créditos com o comércio possuíam um considerável valor em empréstimos aos governos europeus.
Os anos 20. A expansão da riqueza dos Estados Unidos, o chamado PIB - Produto Interno Bruto, Opa!! Qual o conceito de PIB? Corresponde ao valor total dos bens (produtos e serviços) produzidos por um país em um determinado período. Então, voltemos ao ponto em que paramos. O PIB dos EUA obteve um crescimento acelerado e vertiginoso. A produção industrial alcançou elevados picos de vendas. O modelo de produção em linha de montagem trazia rapidez, eficiência e baixo custo aos produtos. Aliado as facilidades ao crédito o cidadão poderia através de empréstimos comprar imóveis e bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos, aparelhos de rádio, etc). Estimulados pela propaganda consumista o ritmo de compras era frenético. Mercado aquecido, expectativa de consumo crescente e valorização das empresas que tendem a sinalizar para investimentos em títulos (ações) na bolsa de valores. Muitos cidadãos vislumbraram a possibilidade de obterem lucros altos e imediatos investindo suas economia em ações.
O Efeito Dominó: A quebra da Bolsa de Nova York foi uma sucessão de acontecimentos desastrosos. Passados alguns anos do final da Primeira Guerra mundial, as economias das nações européias emitem sinais de recuperação, a partir da diminuição das importações de produtos agrícolas e industriais, principalmente dos EUA. Fato que levou a falência milhares de agricultores nos EUA. Apesar disto grandes empresas mantiveram o ritmo de produção em alta. As vésperas dos anos 30 a situação agrava-se e na chamada quinta-feira negra de Outubro de 1929 acontece o pior, a quebra ou “Crack” da Bolsa de Nova York.
Como foi este processo? Em linhas gerais podemos explicar a quebra da bolsa a partir do seguinte aspecto. Na situação de euforia que se encontrava a economia, era comum as empresas emitirem títulos negociáveis (ações) em bolsa de valores. Considerando a expectativa de lucro com a alta nas vendas dos produtos destas empresas, o mercado financeiro compra estes títulos (ações) acreditando obter lucros altos e rápidos. Porem este é um terreno pantanoso e sem as devidas cautelas podem trazer perdas financeiras irreparáveis. Foi o que aconteceu quando o excesso de produtos (superprodução) sem a devida demanda (expectativa de compra) provocam o desequilíbrio na economia. A oferta em demasia acumulou grandes estoques que não encontravam compradores fazendo os produtos encalharem nas prateleiras. O “efeito dominó” se processa, pois sem consumo não existe venda, conseqüentemente não gera receita (dinheiro). A possibilidade de lucro desaparece e o fantasma da falência torna-se real. O temor por maiores perdas leva os investidores a negociarem as ações das empresas vendendo-as na bolsa de valores. A venda contínua e sistêmica das ações de uma empresa provoca a diminuição do seu valor de mercado e indica a desconfiança dos investidores. Este ciclo macabro termina por respingar na ofertas de empregos, pois com a diminuição nas vendas os postos de trabalho são reduzidos, significando desemprego. Enfim os efeitos da crise espalham por todos os setores da economia mundial e repercutem principalmente nos paises capitalistas exportadores de produtos agrícolas, como o café do Brasil (Lembram quando estudamos a Revolução de 1930 - predecessora da Era Vargas? Pois é, os efeitos da crise ajudaram a derrubar  a república do café). Exceto na União Soviética cujo o modo de produção era no Sistema Socialista com economia planificada e sem economia de mercado a crise assolou os paises capitalistas, o desemprego é alarmante nos Estados Unidos com 15 milhões de desempregados e falências generalizadas no campo e nas cidades. Na Europa a Alemanha é afetada por uma gravíssima crise com 6 milhões de desempregados, inflação, fome e miséria. O governo vem em socorro a ecomonia de mercado dos capitalistas (ops!!)financiando o sistema a fim de diminuir os efeitos da crise, criando frentes de trabalho na execução de obras públicas. A esta intervenção do governo na economia dos Estados Unidos para combater a crise chamou-se de o “New Deal” ou Novo Acordo ocorreu no governo do presidente Franklin Roosevelt. Ops!! Mas, segundo as assertivas dos economistas capitalistas que estão no ínicio deste assunto, não seria a lei da oferta e da procura que regularia as relações econômicas?? O governo não deve intervir na economia e deixar a mão invisível do mercado atuar livremente?? O Tesouro dos EUA (o ministério da Fazenda deles) em fevereiro de 2009 desembolsou US$ 2 Trilhões  para socorrer bancos e empresas. Acredito que agora entendem a afirmação de que nenhum modo de produção é perfeito.  

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Revolução Russa de 1917


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Contexto.

Momento histórico de impacto mundial, a Revolução Russa marcou o fim de um dos últimos impérios de monarquias hereditárias e absolutistas do mundo no século XX. Através da revolução, o socialismo ascendeu pela primeira vez ao poder e a ideologia comunista passou a exercer profunda influência no cenário internacional e mesmo na vida interna das nações durante grande parte do século XX. O estudo deste processo revolucionário tornou-se importante para a História, em razão das representações e rupturas relacionadas com as mudanças na estrutura do poder político, sociais e econômicas. Em linhas gerias é considerada o modelo clássico de revolução proletária que destruiu a ordem capitalista e burguesa lançando os fundamentos do primeiro Estado socialista da história da humanidade, acontecimento este de grande relevância para a História. A partir de 1917, a Rússia caminhou no sentido de se transformar numa das mais importantes potências mundiais, adotando um modelo de Sistema Socialista que se opunha ao Sistema Capitalista. Criando condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder do mundo capitalista, no decorrer do século XX no contexto da "Guerra Fria".
Revolução Russa ou Revolução Bolchevique é a designação ao processo que, em dois momentos a partir de 1917, derrubou o governo imperial da Rússia e instalou o comunismo no poder.
O primeiro momento deu-se com a revolução de fevereiro, que promoveu a queda do czarismo e a instalação de um governo da burguesia, democrático e liberal, comandado pelo partido Menchevique.
segundo momento, com a revolução de outubro, marca o momento da tomada do poder pelos bolcheviques marxistas (do partido operário), início da história de um novo país que se chamou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) criada em 1921 e  durou até 1991, ano em que o Sistema Socialista desabou.

Como foi possível a Revolução?


No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas). Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar - governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia distoando do cenário de uma Europa em transformação. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com o governo do czar.

Pausa para curiosidade!  A palavra czar, que se pronuncia-se “tzar”, tem suas origens no título de césar que era concedido aos imperadores romanos, na Idade Antiga. Na Idade Média o título de czar era ostentado por búlgaros e sérvios que igual aos russos também pertencem ao ramo dos povos eslavos.

O Fime "O Encouraçado Potemkin" (1925) de Sergei Einsenstein tornou-se um cult ao retratar os antecedentes da Revolução Russa. Assista um trecho desta emblemática película. "O ENCOURAÇADO POTEMKIN"                             


Começa a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin (Vladimir IIlitch Ulianov). Os bolcheviques (que significa partido da maioria em russo) começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia. Ao longo da segunda metade do século XIX, a Rússia viveu uma crise profunda em conseqüência de fatores que exerciam influências recíprocas e divergentes sobre todos os setores da vida social e política do país. Vigorava no império um sistema político de monarquia autocrática que se chocava com o modelo econômico de capitalismo moderno, em que as relações de produção entrelaçavam-se com as do tipo feudal. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, com fortes repercussões sociais, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Havia insustentáveis desigualdades econômicas e sociais entre a poderosa e privilegiada classe de nobres proprietários de terras e uma imensa população de camponeses (grande massa de maioria analfabeta que até 1861 viveu em regime de servidão).
Lenin tomou para si a tarefa de adaptar a teoria fundamentada por Karl Marx e Engels (Marxismo) do século XIX à realidade da Rússia do século XX e provar que era possível,mesmo contrariando a Marx, uma revolução comunista num país como a Rússia no qual o capitalismo ainda engatinhava. Deste erro Lenin vai se penitenciar em 1921, reconhecendo que Marx estava certo. 
Em meio à Primeira Guerra Mundial, na qual a participação da Rússia era desastrosa, aconteceu a denominada revolução russa de 1917. O estopim do descontentamento popular contra o governo do czar foi a manutenção do país na Primeira Guerra Mundial. Foram os jovens soldados, mais do que os camponeses e operários, que promoveram a revolução democrática em 1917 e levaram ao poder o líder menchevique  Keresnsky.

Resumindo, a Revolução Comunista eclodiu num país "atrasado" da Europa, graças à combinação de uma série de fatores:
1- A crise econômica; pesados impostos; a fome que atingia grande parte da população;
2- Incapacidade administrativa dos Czares;
3- As derrotas da Primeira Guerra Mundial;
4- Grande desigualdade social existente no país.


"Todo poder aos Sovietes"
Apesar das espectativas o governo de Kerensky não retirou a Rússia da Guerra, fato que causou uma onda de greves, revoltas e disputas de poder. Nesse cenário anárquico, Lenin e seus seguidores, Stalin e Trotsky, reinvindicavam "todo poder aos sovietes" e lideram a rebelião que depôs Kerensky e colocam no poder o partido bolchevique. Assim deu inicio ao governo socialista dos bolcheviques, uma ditadura com partido único, porém a esta característica Lenin denominou de "ditadura do proletariado"  
Do Sistema de Produção Socialista - extraimos dois importantes conceitos que representarão as bases do Socialismo:
· Confisco de propriedades privadas: Reforma Agrária, ou seja, grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa para serem distribuídas entre o povo.
· Estatização da economia: Controle Operário das fábricas, isto é, O novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas que eram de propriedade privada.


A nova política econômica (NEP)
Em 1921, a situação econômica estava pior que antes da revolução. A Republica Federal Socialista e Soviética Russa (RFSSR), sofreu uma terrível redução de forças, mais do que qualquer outra grande potência, com a Primeira Guerra e, em seguida, com a revolução e a guerra civil. Sua população declinou de 171 milhões de habitantes em 1914 para 132 milhões em 1921. A perda de territórios envolveu também a perda de fábricas, ferrovias e fazendas produtivas. Os conflitos destruíram grande parte do que tinha restado. Nas cidades e nos campos havia fome e miséria. O campo não recebia fertilizantes, ferramentas nem roupas das cidades. Por sua vez, não produzia alimentos e milhares de pessoas morriam de frio, fome e epidemias.

Um passo atrás para para depois dar dois passos à frente.
No início de 1921, o poder bolchevique estava totalmente ameaçado. Reconhecendo a gravidade da situação, Lenin
(principal líder da Revolução Russa) declarou aos seus pares: "Nos equivocamos. Atuamos como se pudessemos construir o socialismo em um país no qual o capitalismo praticamente não existia. Antes de querer realizar a sociedade socialista, há que reconstruir o capitalismo".
A partir daí surgiu a Nova Política Econômica (NEP). Não se tratava de modificar a economia soviética. Eram ajustes de urgência, impostos pela gravidade da situação. Para aumentar a produção a qualquer custo, foram tomadas algumas medidas capitalistas, como a restauração da pequena e da média propriedade na industria alimentícia, no comércio varejista e na agricultura.
Na agricultura, substituíram-se as ilimitadas e odiadas requisições de gênero por um imposto em produtos. No setor industrial os resultados não foram muito significativos, apesar da adoção da liberdade salarial e de comércio.
A terra pertencia ao estado e era arrendada aos camponeses. Os mais ativos e influentes nas comunidades , chamados Kulaks, enriqueceram-se ainda mais. Por outro lado, muitos camponeses pobres faliram, por causa da inflação e da economia de
mercado, e foram para as cidades em busca de trabalho, agravando o desemprego.





Czar Nicolau II deposto e executado.    ...........Lenin -O líder Revolucionário.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (Resumo)


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O CENÁRIO NA EUROPA ANTES DA GUERRA.
Podemos considerar que as principais causas da Primeira Guerra “Mundial” de 1914 a 1918 são de ordem econômicaOs impérios Europeus acirravam os ânimos entre si devido a busca de regiões ricas em matérias primas para suas indústrias e de mercados consumidores para os seus produtos industrializados. O choque de interesses entre as potências imperialistas se agravaram com a entrada da Alemanha (unificada em 1871) e da Itália na corrida imperialista. Alemães e italianos estavam insatisfeitos com a repartição do mundo colonial queriam uma redivisão dos territórios, embora o problema da perda terreno na disputa por colônias tenha sido causado pela unificação tardia destes dois paises.
Indiscutivelmente a Primeira Guerra do século XX foi motivada por fator de ordem econômica, no entanto, não foi o único. As raízes do conflito encontram-se nas rivalidades históricas reavivadas por disputas no século XIX, na Europa verificava-se uma situação de conflito de interesses que colocava frente a frente uma série de países.

Vejamos alguns desses atritos:

· Inglaterra X Alemanha: As duas maiores potências industriais da Europa disputavam os mercados mundiais com extrema tenacidade. A Inglaterra tinha a vantagem de possuir mais colônias na África e na Ásia;

· França X Alemanha: Ao unificar-se a Alemanha, anexou as províncias francesas de Alsácia e Lorena, ricas em ferro e carvão – base para a indústria. Isso estimulou um sentimento revanchista e anti-germânico nos franceses.

· França X Itália: Esses dois países disputavam a posse da Tunísia, na África.

· Rússia X Império Áustro-Húngaro: A Rússia era o maior dos países eslavos, e além de posicionar-se a favor da Sérvia na questão dos Bálcãs, ambicionava formar uma grande nação eslava sob seu comando.


A PREPARAÇÃO PARA A GUERRA

Anteriormente abordamos alguns dos motivos gerais (de ordem econômica e as rivalidades históricas) que contribuiram para a Primeira Grande Guerra do século XX, agora verificaremos os muitos atritos que envolviam as potências européias.
A insegurança provocada pelo clima hostil entre as potências, provocou uma verdadeira corrida armamentista preventiva, que ficou conhecida com a hipócrita denominação de Paz Armada. Isso quer dizer que os países procuravam incrementar seu poderio bélico (armamentista), imaginando escapar das investidas de nações inimigas. O antagonismo (interesses opostos) entre as nações provocou a formação de blocos de países preparados para um possível enfrentamento armado. Os blocos militares  ou alianças militares, formados a partir de então foram os seguintes:

A) TRÍPLICE ALIANÇA: A Alemanha e o Império Austro-Húngaro assinaram, em 1879, um acordo de ajuda militar mútua. Posteriormente a Itália, em represália pela invasão francesa à Tunísia, aderiu à Tríplice Aliança em 1882. Entretanto, posição italiana nessa aliança foi dúbia desde o princípio. De forma que, secretamente os italianos assinaram um acordo com o bloco rival em caso de guerra, recebendo como recompensa colônias na África.

B) TRÍPLICE ENTENTE: Inicialmente existia um acordo entre França e Inglaterra (Entente Cordiale), no qual a primeira reconhecia as pretensões colonialistas da segunda e esta se comprometia a ajudar a França, no caso de uma agressão alemã. Em 1907 a Rússia adere ao bloco. Formava-se assim a Tríplice Entente.

Importante ressaltar que para os dois blocos militares organizados prevaleceu a máxima: "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", ou seja, os paises buscaram aliar-se com nações que possuíssem atritos com seus rivais.

Outro  importante atrito, a chamada Questão Balcânica, gerou o evento que desencadeou a Primeira Guerra, e merece um detalhamento maior. Desde a decadência do Império Turco Otomano, a região dos Bálcãs (tome como referência de local as imediações da Grécia) estava em crise. Resumindo, o quadro de crise política na região assim se apresentava:
- A Sérvia apoiava os movimentos nacionalistas eslavos na luta contra as pretensões da Áustria em anexar a região.
- A Áustria contrariava o plano de formação de um grande país eslavo sob a liderança da Sérvia; - O Império Russo pretendia ampliar sua influência na região e obter uma saída para o Mar Mediterrâneo;
- A Turquia, como ex-potência da região, se aproximou da Alemanha e da Áustria para impedir o avanço russo.

OPS lembrem-se!! Observem que as razões da Guerra Civil Iugoslava (entre 1991 a 2001) estão relacionadas com as divergências históricas entre sérvios, croatas e bósnios, e são anteriores a Primeira Guerra Mundial. Após a fragmentação da Iugoslávia em 1991 as divergências retornaram com foco na limpeza étnica em áreas de população sérvia. O ideal de criação da Grande Sérvia ainda é a percepção e principal meta para os sérvios. Em resumo a região ainda continua um barril de pólvora no século XXI.



Assim, percebe-se que a região balcânica era um verdadeiro barril de pólvora no começo do século XX. Como dizia na época: o inicio da guerra estava por uma centelha. Só faltava um pretexto para se atear fogo ao estopim nesse barril de pólvora. A fagulha ocorreu com o assassinato do herdeiro do trono austríaco, o Arquiduque Francisco Ferdinando.
Acaso do destino ou imprudência? Fico com a segunda opção. Resolveu o arquiduque visitar, no dia 28 de junho de 1914, Sarajevo, a capital da Bósnia. Esta atitude insensata do arquiduque Francisco Ferdinando é comparável a hipotética visita do presidente Obama ao Iraque nos dias atuais desfilando em carro aberto. Imaginaram qual seria o resultado??
Os assassinos de Francisco Ferdinando eram ligados ao movimento nacionalista sérvio, e, por isso, Áustria declarou guerra à Sérvia no dia 28 de julho do mesmo ano. A Rússia manifestou solidariedade à Sérvia, e a Alemanha declarou guerra à Rússia, no dia 1º de agosto de 1914. É a aplicação da máxima: "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", lembram!!! Este horizonte de eventos desencadeou o conflito entre os países membros das duas alianças militares, arrastando o mundo para uma das mais sangrentas guerras do século XX.

Os primeiros movimentos da Guerra.

Em 3 de agosto, a Alemanha declarou guerra à França, e no dia seguinte, invadiu a Bélgica. Na frente oeste, nos primeiros meses da guerra, a iniciativa coube aos alemães, que tomaram grandes extensões dos territórios belga e francês.
Na frente leste, o exército russo parecia vitorioso, conquistando parte da Prússia Oriental (atual território da Polônia, na época pertencente a Alemanha).

As Fases da Guerra.

Podemos caracterizar a fase inicial da guerra pela ocorrência de um frenético avanço de tropas conquistando territórios e pelo elevado número de mortos. Estas caracteristicas fazem parte da primeira fase da guerra denominada de Guerra de Movimento. Contudo, o expressivo número de mortos nesta fase foi a motivo para a adoção de uma estratégia mais defensiva que procurava não expor os exércitos em campo aberto visando preserva-los das modernas armas de guerra e assim inicia-se uma nova fase.
A segunda fase seria a Guerra de Trincheiras ou Guerra de Posições. Sem condições de manter o ritmo inicial, os exércitos alemães recuaram na frente oeste e retomaram os territórios na frente leste. Depois disso, tanto as forças da Entente como as da Tríplice Aliança mantiveram as posições e sem condições de romper as linhas das forças inimigas. Esta situação perdurou até praticamente o fim da guerra.
Em maio de 1915, a Itália declarou guerra à Alemanha e à Áustria, teoricamente seus aliados. Esta atitude da Itália foi oportunista, esperava lutando ao lado da França e da Inglaterra, obter territórios nas províncias rebeldes e na África.
O esforço de guerra começou a ser sentido pelas populações dos países em guerra. A falta de alimentos, de matérias-primas e as condições de trabalho provocaram greves, motins e levantes operários, principalmente na Alemanha.
Na frente de batalha, o quadro se modificou profundamente depois de abril de 1917. Submarinos alemães afundaram navios norte-americanos, provocando a entrada dos Estados Unidos na guerra.
Os Estados Unidos já forneciam armas, munições e alimentos aos aliados. Agora, o peso econômico-industrial “ianque” faria mudar o rumo do conflito, pois os alemães não tinham condições de materiais de continuar lutando por muito tempo. Entretanto, convém lembrar que a entrada dos EUA na guerra também se explica pelo fato de que se houvesse vitória da Alemanha, todo investimento estadunidense aplicado nos países da Entente durante os três primeiros anos da guerra estariam perdidos. A Revolução Russa corroborou para os Estados Unidos optarem em entrar no conflito. Em 1917 (outubro/novembro), a Rússia saiu da guerra, depois que os bolcheviques (Revolução Russa) tomaram o poder. Este acontecimento deu condições para que a Alemanha prolongasse sua permanência na guerra por mais de um ano. Em 1918, os aliados dos alemães abandonam a guerra deixando-os sozinhos. Na Alemanha, revoltas populares, levantes de soldados e marinheiros paralisavam a máquina de guerra. Exaustos no dia 9 de novembro de 1918, o imperador Guilherme II foi derrubado e substituído por um governo provisório (social-democrata), o qual assinou o armistício (suspensão do conflito) com os aliados. A guerra havia acabado. Em janeiro de 1919, começou a Conferência de Paz de Versalhes, que se encerraria em 28 de junho.
Os Termos da Rendição: Em janeiro, o presidente dos EUA, Wilson propôs os seus famosos “14 pontos” para uma paz mais justa. Contudo a intolerância e insistência da França e da Inglaterra em exigirem reparações, invalidaram a iniciativa do presidente dos EUA.

Numa conferência foi assinado o Tratado de Versalhes, que determinou o seguinte:
· Criação da Liga das Nações, para mediar diplomaticamente os conflitos internacionais. A Liga foi o embrião da ONU, porém, já surgiu com seus poderes pouco efetivos. Isso porque a Alemanha, responsabilizada pela guerra, a Rússia, abalada pela Revolução socialista e os EUA, discordantes do Tratado de Versalhes, ficaram de fora desse organismo;
· Estabelecimento de novas fronteiras. A Alemanha devolveu a Alsácia-Lorena para a França e cedeu territórios para a criação da Polônia como país independente. O território alemão ficou ainda dividido em duas porções pelo corredor polonês, para dar acesso ao mar à Polônia;
· A Alemanha perdia suas colônias e ficava obrigada a desmilitarizar e limitar o efetivo do seu exército a 100 mil homens e a desmantelar as fortificações fronteiriças;
· A Alemanha e seus aliados foram considerados responsáveis pela guerra e condenados a pagar pesadíssimas indenizações. As indenizações exigiram a entrega dos navios acima de mil toneladas e de diversos recursos naturais alemães à exploração dos países vencedores.

Evidentemente, essas imposições eram demasiado pesadas para que a Alemanha pudesse cumpri-las na sua integralidade. O presidente dos EUA, Woodron Wilson, insistentemente alertava aos líderes da Inglaterra e da França que uma rendição honrosa e viável para a Alemanha seria a garantia de uma paz duradoura, mas os teimosos líderes ingleses e franceses não acataram as recomendações de Wilson. Assim, os anos 20 foram tremendamente difíceis para a Alemanha, devido as imposições do Tratado de Versalhes, gerando um sentimento de frustração e revanche no povo alemão. Nos termos do Tratado de Versalhes encontramos entre outras as origens da 2ª Guerra Mundial.

Após as decisões do Tratado de Versalhes os EUA adotam uma política internacional isolacionista "dando as costas" aos países da Europa.

O Império Áustrro-Húngaro também foi penalizado no Tratado de Saint-Germain, que lhe tirou a saída para o mar e reduziu drasticamente seu território.

O Esfacelamento do Império Otomano e a crise entre palestinos e o Estado de Israel. 

Quando o Império Turco Otomano foi desmembrado, após a Primeira Grande Guerra, surgem novos países e diferentes povos. Um detalhe que normalmente passa desapercebido é que a desintegração do Império Otomano vai ser a semente das futuras desavenças entre palestinos e israelenses, bastante acentuadas após a Segunda Guerra Mundial. Síria, Monte Líbano, Palestina, Meca e Medina eram parte do Império Otomano, de população majoritariamente árabe e que professavam as seguinte religiões: o islamismo, o cristianismo e o judaismo. O controle 
destes territórios, então herdados do Império Otomano, coube à Inglaterra e a Françam que visavam resguardar seus interesses colonialistas e portanto ignoram sistematicamente as reivindicações árabes para formar países independentes. A Liga das Nações (um arremedo do que seria a ONU), em 1922, resolve dividir a região em mandatos (territórios) que seriam administrados por França e Inglaterra por períodos determinados.
Neste mesmo ano a Carta da Liga das Nações continha uma determinação que entre os objetivos do mandato inglês na Palestina estaria a criação de um território judeu e com a condição de não ferir os interesses da população não judaíca que habitava a região. Ao passo que os paises vizinhos conquistavam sua independência a Palestina mantinha-se sob o controle britânico. Paralelamente o movimento Sionista começa a organizar a migração em massa de judeus para a Palestina deslocando a força a população árabe existente a fim de estabelecer os assentamentos judaícos. Assim, iniciam os primeiros choques violentos entres árabes e judeus provenientes da Europa Oriental. Importante ressaltar que o conflito dos anos 20 não foram de natureza religiosa, mas política. A partir de 1936 eclodiram várias revoltas dos palestinos, duramente reprimidas pelos ingleses, contabilizaram aos milhares entre mortos e feridos e outros milhares de presos. O partido nacional palestino exigia já desde àquela época a formação de um governo palestino autônomo. Contudo sem conseguir manter a ordem na Palestina e incapaz de entregar um Estado aos judeus, sem ferir os direitos e causar revoltas dos palestinos, a Inglaterra entrega o mandato (território) a ONU. Esta era a constatação de que a política internacional inglesa havia fracassado.   

As mudanças geopolíticas.
   
No novo mapa europeu criado, a partir desses tratados, surgem novos países como Hungria, Polônia, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Finlândia. Fora da Europa, surgem regiões do espólio do Império Turco-Otomano que originaram os atuais países do Oriente Médio, tais como Jordânia, Síria, Líbano, Iraque.
No âmbito das relações econômicas e sociais, a I Guerra Mundial deu aos EUA a condição de maior potência econômica mundial. Os EUA entraram na guerra como devedores e saíram como credores. A Primeira Guerra Mundial trouxe também um nefasto saldo de algo em torno de 14 milhões de mortes. Pior do que isso, essa guerra, que antes de começar dizia-se que acabaria com todas as outras guerras, apenas acirrou ainda mais os ânimos dos países europeus, uma lamentável realidade que encaminharia a II Guerra Mundial, com danos ainda maiores.
Para saber mais clique no link: http://www.sohistoria.com.br/ef2/primeiraguerra/
O MAPA EUROPA ANTES DA 1ª GRANDE GUERRA


MAPA DA EUROPA APÓS A GUERRA DE 1914 A 1918.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

ROMA - Proprietas of orbis terrarum.



Roma (Resumão)   – Proprietas of orbis terrarum (Os Donos do Mundo)                             

                                                                         
Localizada na Península Itálica, Europa. Nenhuma civilização ocidental foi tão poderosa e por tanto tempo, quando a romana. Do idioma à organização política e jurídica o legado dos romanos é imenso. Ainda hoje, percorrendo as ruas de Roma podemos notar nas tampas dos bueiros do sistema de abastecimento de água a abreviatura SPQR, a mesma insígnia que estampava nos estandartes das legiões romanas nas batalhas (em latim Senatus Populus Que Romano, ou seja, Senado do Povo de Roma). O Senado era a instituição fundamental da política romana – centro do poder principalmente no período republicano -, foi daí que originou os atuais parlamentos (inclusive no Brasil).  

                     Gravura mostra a extensão do Império Romano durante o governo de Otávio Augusto.




OrigensA Lendária e a Histórica.
A fundação de Roma apresentava características míticas, segundo a lenda os gêmeos órfãos Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba, até que um pastou os encontrou e os criou. Já adultos Rômulo e Remo retomam o controle do Lácio e em troca recebem terras nas margens do Rio Tibre. A partir deste episódio iniciam fundação de Roma. Em uma disputa matou Remo e tornou-se o primeiro rei de Roma
                                                                                                                                                                                                                       A loba capitolina ainda hoje é o símbolo da Cidade Eterna


Entretanto pelas pesquisas históricas sabe-se que a região do Lácio era habitada por povos pastores que, para se defenderem de possíveis invasões, se estabeleceram nas colinas próximas ao rio Tibre. Sentindo-se ameaçados, os latinos se uniram sob a liderança de uma das aldeias, Roma. Roma foi dominando todos os povos da península, unificando-os sob seu poder. A partir daí, os romanos expandiram-se para fora da península.
Roma atravessou diversas fases Monarquia, República e Império.


A Monarquia (753 a.C. a 509 a.C.)


A monarquia teve início com a fundação da cidade de Roma, e Rômulo foi o primeiro rei. Segundo a tradição, Roma teve sete reis. Eles eram escolhidos pela Assembléia Curial e tinham o poder limitado pelo Senado.
Assembléia Curial: formada por cidadãos em idade militar (patrícios) que escolhiam os reis, além de fazer e votar as Leis.
Senado (ou Conselho dos Anciãos): um órgão consultivo que tinha o direito de aprovar ou não as leis elaboradas pelo rei.

Aspectos da Monarquia romana
A sociedade romana era formada pelos:
patrícios — eram os aristocratas, os grandes proprietários de terras, os únicos que podiam ocupar cargos políticos, religiosos e militares;
clientes - eram os plebeus apadrinhados dos patrícios aos quais deviam obediência, geralmente prestavam serviços não braçais 

plebeus — homens livres, mas considerados estrangeiros; não tinham direitos políticos. Eram pequenos agricultores, pastores, comerciantes e artesãos.
escravos — em número reduzido, originados dos povos conquistados eram considerados "coisa" (res).

Economia
Na época da realeza, a base da economia era a agricultura, além da atividade pastoril. A indústria doméstica (como a de armas e utensílios) bastava para as necessidades mais imediatas e toda a sua produção era dirigida para o consumo local. Como havia pouco excedente, o comércio era reduzido. Em 509 a.C., um choque entre o rei e a aristocracia provocou o fim da monarquia. O rei foi deposto por um golpe dado pelos patrícios


A República (509 a.C a 27 d.C.)


Com o golpe político, os patrícios implantaram na cidade de Roma o regime republicano. O Poder Executivo era exercido pelos magistrados, eleitos por um ano. Entre os diversos tipos de magistrados que existiam em Roma, destacam-se:

cônsules — em número de dois, comandavam o exército e eram os chefes dos demais magistrados. Em época de guerra, eram substituídos por um ditador, com mandato de seis meses;

pretores — cuidavam da Justiça;
censores — faziam o censo dos cidadãos, com base na sua riqueza;
questores — encarregados da arrecadação de tributos;
edis — responsáveis pela preservação, pelo policiamento e pelo abastecimento das cidades.

O Senado era o órgão que detinha maior poder, composto de senadores vitalícios. Eram suas atribuições: elaborar as leis, cuidar das questões financeiras e religiosas, conduzir a política externa, administrar as províncias, participar da escolha do ditador.
Sessão do Senado - Senadores eram representantes do povo de Roma.
As Assembléias eram em número de três:
Curial — examinava os assuntos de ordem religiosa;
Tribal — responsável pela nomeação dos questores e edis;
Centurial — composta pelas centúrias, grupos de militares encarregados de votar as leis e eleger os magistrados.

As lutas sociais na República romana

Na época da República romana, a plebe passou a exigir direitos políticos, o que provocou uma série de conflitos. Eles tiveram inicio quando, em 490 a.C., os plebeus formaram um exército próprio, retiraram-se de Roma e foram para o Monte Sagrado (o Monte Aventino).
Os patrícios necessitavam dos plebeus nas atividades econômicas e militares e, por isso, cederam às suas exigências, aceitando que tivessem representantes no Senado — seriam os tribunos da plebe. Os tribunos podiam vetar leis que considerassem contrárias aos interesses plebeus.
Mais tarde, os plebeus conseguiram outros direitos. Foram elaboradas as Leis das Doze Tábuas, as primeiras leis comuns para patrícios e plebeus. Em 445 a.C., passou a ser permitido o casamento entre patrícios e plebeus e foi abolida a escravidão por dividas.
Mas as lutas continuaram e, em 367 a.C., os plebeus conquistaram o direito de participar do consulado. A partir daí, passou a haver um cônsul patrício e outro plebeu. Em 287 a.C., a plebe, mais uma vez retirando-se para o Monte Sagrado, impôs aos patrícios que as leis aprovadas pela Assembléia da Plebe fossem válidas para todo o Estado romano — era o plebiscito ou decisão da plebe.


As conquistas da República romana - As Guerra Púnicas

Durante o período republicano, Roma, com um exército bem treinado e bem armado, conquistou inúmeras regiões, formando um grande império. As conquistas iniciaram-se pela própria península Itálica. Com suas legiões, os romanos, em aproximadamente 200 anos, dominaram os povos que viviam na região.
Para controlar o mar Mediterrâneo, os romanos tiveram de enfrentar Cartago, antiga colônia fenícia no norte da África. Os cartagineses haviam alcançado grande prosperidade e seu comércio era feito com diversos lugares do mundo conhecido. O senador Catão antes de iniciar seus discursos dizia “Delenda Cartao est” (Cartago deve ser destruída). As três guerras entre Roma e Cartago são conhecidas como Guerras Púnicas e duraram de 264 a.C. até 146 a.C. Neste ano, os romanos tomaram Cartago, escravizaram cerca de 40 mil pessoas e transformaram a cidade em uma província romana.
Continuando com a política de conquistas, Roma conquistou a Macedônia e a Grécia. Em 133 a.C., a península Ibérica foi dominada e, no século I a.C., os romanos tomaram a Bitínia, a Síria, o Egito e toda a Gália. Desse modo, o mar Mediterrâneo transformou-se no Mare Nostrum. Roma reunia sob seu domínio povos de culturas diferentes. As regiões conquistadas foram transformadas em províncias e eram obrigadas a pagar altos tributos a Roma.
Após as Guerra Púnicas os romanos conseguiram o domínio do comércio marítimo no Mediterrâneo.








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A Expansão Territorial de Roma.

Gradativamente, formaram um imenso império, transformando o mar Mediterrâneo num verdadeiro “lago romano", como eles diziam, o Mare Nostrum (Nosso Mar). Dotado de exército bem preparado e organizado os romanos iniciam as conquistas, seus soldados guardavam as fronteiras e sufocavam possíveis rebeliões. As legiões romanas eram formadas por cidadãos romanos e cada uma delas tinha 5 mil soldados, divididos em unidades as centúrias. Era através das guerras que Roma aumentava seu território e também a quantidade de contribuintes que pagavam tributos ao Estado. Os romanos exploravam os povos vencidos, extraindo riquezas de seus territórios (ouro, prata e outros metais) ou fazendo comércio com eles. Formou-se um impressionante sistema de estradas, com mais de 85 mil quilômetros. O transporte e o comércio também eram feitos por mar.
Não menos importante, era o grande fluxo de escravos para servir de mão de obra e distrair a população. Muitos escravos batalhavam pela vida nas lutas entre gladiadores nas arenas. O Coliseu era a mais famosa destas Arenas. Quando a situação política estava tensa, os líderes romanos convenientemente decretavam feriados e realizavam festas no Coliseu com distribuição de pão para o povo, era chamada política do Pão e Circo utilizada para desviar a atenção da população dos graves problemas.


Conseqüências das conquistas romanas

O Império Romano durou cerca de 700 anos, mas a civilização romana sobreviveu muito mais. O latim, falado pelos romanos, foi a língua escrita de todos os europeus educados até o século XVI. Da mistura do latim vulgar, falado pelo povo, com a língua dos povos de várias regiões conquistadas, originaram-se as línguas neolatinas. As principais são o francês, o italiano, o espanhol, o romeno e o português. Muitas línguas européias modernas, como o inglês, apesar de não terem se originado do latim, apresentam muitas palavras de origem latina.
As conquistas provocaram inúmeras transformações econômicas, políticas e sociais:
• enriquecimento dos patrícios, que se apossaram das terras dos pequenos proprietários, recrutados para o serviço militar;
• aumento do número de escravos. Os prisioneiros de guerra, reduzidos à situação de escravos, substituíram o trabalhador livre. Os desempregados do campo migraram para as cidades;
• formação de uma nova camada social, a dos cavaleiros ou classe eqüestre. Eram plebeus que enriqueceram cobrando impostos e fornecendo víveres ao exército e que ganharam autorização de explorar novas terras, ricas em minérios;
• empobrecimento dos pequenos proprietários, pois muitos produtos das regiões dominadas chegavam a um preço muito baixo, competindo com a produção local.


A crise da República

A República romana, após as conquistas, entrou em profunda crise, que marcou o seu declínio. Nesse período, destacam-se os seguintes acontecimentos: as reformas dos irmãos Graco, os governos de Mário e Sila e os triunviratos.


Os irmãos Graco – Os tribunos da plebe

Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente como tribunos da plebe, preocupados com os problemas sociais que se agravavam, propuseram reformas sociais:
• Tibério Graco, em 133 a.C., conseguiu a aprovação de uma lei que limitava o tamanho das terras dos aristocratas e autorizava a distribuição entre os pobres da área que ultrapassasse o limite estabelecido. Essa lei desagradou aos grandes proprietários de terras. Tibério e aproximadamente 500 de seus partidários foram assassinados.
• Caio Graco, em 123 a.C., retomou o projeto de reforma agrária. Conseguiu a aprovação de uma lei que aumentava a participação da plebe na administração do Estado. Também conseguiu que o preço do trigo fosse reduzido. Sofreu oposição dos grandes proprietários e suicidou-se. Seus seguidores foram perseguidos e muitos foram condenados à morte.
Os governos de Mário e Sila.
No período de 136 a 132 a.C., aproximadamente 200 mil escravos armaram-se e rebelaram-se. Muitos morreram, e a
maioria foi submetida por seus proprietários. Com o aumento da instabilidade política, diversos militares passaram a disputar o poder. Nessa época, Roma conheceu os governos militares e autoritários dos generais Mário e Sila.


• Mário defendia a camada popular. Diminuiu os privilégios da aristocracia e estabeleceu o pagamento de salários aos soldados, o que levou à entrada de pessoas pobres no exército.

• Sila substituiu Mário e defendia a camada aristocrática. Perseguiu a classe popular e restabeleceu os privilégios dos aristocratas.





Primeiro Triunvirato
Após a morte de Sila, dois generais, Crasso e Pompeu, foram eleitos cônsules. Crasso havia enfrentado e vencido uma revolta de 80 mil escravos liderada por Espártaco, e Pompeu tinha derrotado os partidários de Mário na península Ibérica.
Com o objetivo de diminuir o poder do Senado, Pompeu aliou-se a Crasso e Júlio César e os três tomaram o poder, instituindo o Primeiro Triunvirato. Pompeu ficou com Roma e o Ocidente, Crasso com o Oriente, e Júlio César era o responsável pela Gália. Após a morte de Crasso, Pompeu deu um golpe de Estado, conseguindo do Senado sua nomeação para o cargo de cônsul único. César, que estava na Gália, voltou para Roma, com o objetivo de enfrentar Pompeu. Após sua vitória, César foi aclamado ditador vitalício.
Governo de Júlio César
O governo de Júlio César caracterizou-se pela tentativa de reduzir o poder do Senado. Promoveu várias reformas: diminuição dos abusos na arrecadação de impostos, extensão do direito de cidadania a vários povos, construção de estradas e reformulação do calendário (adotou o seu nome para o sétimo mês do ano). O Senado, contrariado com seus poderes, armou uma conspiração e, em 44 a.C., Júlio César foi assassinado nas escadarias do senado. Segundo a historiografia ao notar que entre os seus assassinos estava o seu filho adotivo Brutus, Júlio César antes de morrer teria dito “até tu filho”.
Segundo Triunvirato
Contudo, no ano seguinte, os partidários de César organizaram um novo governo forte, o Segundo Triunvirato, formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido. Os triúnviros dividiram entre si a administração do império: Otávio ficou com Roma e o Ocidente, Marco Antônio recebeu o Oriente e Lépido ficou com a África, porém foi deposto em 36 a.C.
Nesse mesmo ano, Marco Antônio foi para o Egito e envolveu-se com a rainha Cleópatra. Otávio declarou Marco Antônio inimigo de Roma e partiu para o Oriente, a fim de combatê-lo. Otávio saiu vitorioso, e Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se. Otávio assumiu o poder. Recebeu do Senado vários títulos, entre eles os de Imperador, César e Augusto. Iniciava-se, assim, o Império.

O Império (27 a.C. a 476 d.C.)
O imperador detinha poderes absolutos. Exercia o comando do exército e legislava por meio de editos, decretos e mandatos. Ao Senado restou a posição de conselheiro do imperador. Otávio, o primeiro imperador, governou de 27 a.C. a 14 d.C. Em seu governo:
• foi criada a Guarda Pretoriana (elite da tropa), com a função de dar proteção ao imperador e à capital;
• foi dado incentivo à agricultura, ao comércio e à indústria;
• foi organizado um novo sistema de impostos;
• foram construídas várias obras públicas, o que gerou muitos empregos para os plebeus.
A paz, a prosperidade e as realizações artísticas marcaram o governo de Otávio Augusto, tanto que este período é conhecido como a “Pax Romana”. O século I, do qual fez parte o seu governo, ficou conhecido como o Século de Ouro da Literatura Latina, ou o Século de Augusto. Seu ministro, Mecenas, tinha grande interesse pelas artes e apoiou, entre outros, os escritores Horácio e Virgílio.


No governo de Otávio, nasceu na Palestina, uma das províncias romanas, Jesus Cristo. Posteriormente, seus ensinamentos começaram a ser difundidos em várias partes do Império, dando origem ao cristianismo.

Para ganhar popularidade, Otávio adotou a política do pão e circo. Distribuía trigo para a população pobre e organizava espetáculos públicos de circo para diverti-la.

Os sucessores de Otávio


Após o governo de Otávio, o Império Romano foi governado por várias dinastias que, em geral, levaram-no à instabilidade política, econômica e social.
Dinastia Júlio-Claudiana (14-68) — período marcado por conflitos sangrentos. O imperador Nero foi responsável por incendiar Roma e pela perseguição aos cristãos.
Dinastia dos Flávios (69-96) — os imperadores desta dinastia contaram com o apoio do exército, submeteram o Senado e governaram de forma despótica.
Dinastia dos Antoninos (96-192) — período considerado de apogeu. O império atingiu sua maior extensão territorial, acompanhada de prosperidade econômica. O comércio se desenvolveu e houve grande afluxo de capitais para Roma.
Dinastia dos Severos (193-235) — houve crises internas, fuga da população urbana para o campo, falta de dinheiro, inflação e pressão dos povos bárbaros nas fronteiras. O processo de instabilidade levou ao declínio do Império.

A implosão do Império Romano – A Crise do Império

Atribui-se como principal causa da decadência a crise no sistema Escravista. Habitualmente a pergunta que se faz é porque o Império Romano desabou. Contudo muitos estudos sugerem um outro questionamento mais intrigante: Como foi possível diante de tantas crises, Roma durar tanto tempo? Em verdade podemos colocar a seguinte cadeia de eventos para explicar sucintamente o fim do Império romano: Com o fim das guerras de conquista ocorreu a diminuição do afluxo de riquezas, paralelamente a diminuição da oferta de escravos, que se tornaram muito valorizados e assim afetou seriamente a economia visto que o trabalho escravo era o pilar de sustentação di sistema de produção econômica . Diversas tentativas fossem adotadas para resolver a crise mas não surtiram efeito, porém, era cada vez maior a pressão exercida pelos povos bárbaros (estrangeiros) nas fronteiras do império, quando em 476, Roma foi tomada pelos germânicos. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente, também conhecido como Bizantino, duraria até 1453, quando foi dominado pelos Otomanos.
O Coliseu foi palco de espetáculos promovidos pelos imperadores para “divertir” o povo com a encenação das batalhas e  lutas mortais entre os gladiadores. Antes de entrar em luta os gladiadores dirigiam ao imperador a seguinte frase: Ave Cesar os que vão morrer te saúdam.  Nos primórdios do cristianismo muitos de seus seguidores eram lançados as feras na arena.



Cultura e legado – Conheça algumas criações dos romanos e a herança que nos deixaram em diversas áreas;
ARQUITETURA   Empregada para exaltar as glórias da nação, a arquitetura era a mais desenvolvida arte romana. Alguns elementos bastante utilizados eram os arcos e as colunas – de influência grega. Os romanos destacaram-se na construção de aquedutos, estradas, pontes, além de edificações de grande valor artístico, como o Coliseu e o Panteão em Roma.
DIREITOCom o idioma – o latim, que é a base de línguas atuais como o português, espanhol e italiano -, o direito é o maior legado romano. Dividido em civil, que regulamentava a vida dos cidadãos; Em estrangeiro, aplicado aos que não eram cidadãos; e o Natural, que regulamentava a vida de todos os habitantes de Roma, este é a base do atual sistema jurídico ocidental
LITERATURADurante séculos, a literatura latina era basicamente a grega. A partir do fim do período Republicano, no entanto, os autores romanos começam a produzir obras originais e importantes Escritores como Virgílio, autor de Eneida, os dramaturgos Plauto e Tito Lívio, que escreveu o patriótico História de Roma.
RELIGIÃOOs romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. Essas divindades se tornaram muito semelhantes às gregas, após o contato com esta civilização. A pregação de Jesus Cristo, nascido numa província do Império, deu origem ao Cristianismo, cujos seguidores eram perseguidos. Com a conversão do imperador Constantino, em 313, a religião cristã ganhou força e apoio do estado, situação que permitiu o surgimento da poderosa Igreja Católica ao aproveitar a estrutura organizacional romana para estruturar-se.



Ruínas do Fórum Romano. Era o centro do poder do Império, local das decisões políticas e intrigas palacianas. Do legado deixado por Roma encontra-se os princípios do Direito Natural, base jurídica da maioria das nações ocidentais.

A divisão do Império


Ainda no século IV, os romanos assistiram às primeiras levas de bárbaros cruzarem as fronteiras do império à procura de terras para o cultivo e o pastoreio.

Teodósio, em seu governo, preocupado em melhorar a administração, em 395, dividiu o império entre seus dois filhos:

• O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma;
• O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla. http://historiademestre.blogspot.com.br/

Coperve divulga hoje resultado do vestibular da UFPB

Relação terá 4.862 nomes que foram aprovados no vestibular.



A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), através da Comissão Permanente do Concurso Vestibular (Coperve) divulga hoje o resultado do Processo Seletivo Seriado (PSS-2013). A primeira lista de classificados poderá ser conferida no endereço eletrônico www.coperve.ufpb.br, a partir das 17 horas. A relação terá 4.862 nomes, sendo 4.817 classificados para as vagas da UFPB e 50 para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar e do Bombeiro Militar.
A próxima etapa do concurso começa no dia 6, com o cadastramento obrigatório dos classificados, conforme prazos divulgados no edital do concurso. De acordo com a Coperve, na próxima segunda-feira serão disponibilizados os resultados individuais obtidos pelos candidatos do PSS, já as imagens das folhas de respostas serão liberadas no dia 15.
O PSS 2013 contou com 43.358 inscritos. Desse total, 17.665 candidatos foram eliminados na primeira fase, realizada nos dias 16 e 17 de dezembro do ano passado, e 25.693 participaram da segunda etapa nos dias 20 e 21 de janeiro.
Ainda segundo a Coperve, para os cursos de graduação que exigem prova de conhecimentos específicos, a relação dos candidatos classificados será divulgada no dia 8 de março, às 14h, enquanto os resultados individuais obtidos pelos candidatos serão liberados no dia 11, todos na página da Comissão na internet.

Português terá 350 milhões de falantes até o final do século

Hoje são 250 milhões, dos quais mais de 190 milhões são brasileiros


 Até o final do século 21, os oito países falantes de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) terão uma população de 350 milhões de pessoas – 100 milhões a mais que os atuais cerca de 250 milhões (dos quais mais de 190 milhões são brasileiros).

A conta é de Eugénio Anacoreta Correia, presidente do Conselho de Administração do Observatório da Língua Portuguesa, que funciona em Lisboa. Segundo ele, o número crescente de falantes do idioma é um dos fatores que aumentam o “potencial econômico” da língua.

Em sua opinião, a tendência demográfica - junto com a ascensão econômica de Angola, Brasil e Moçambique, bem como fatores culturais (como a música) e a Copa de Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016 – explicam o “boom do interesse” mundial pelo português, ao falar do aunento da procura por cursos de português em países não lusófonos.

Correia encerrou hoje (28) o 1º Congresso Internacional da Língua Portuguesa, organizado pelo observatório e pela Universidade Lusíada. O adiamento no Brasil da obrigatoriedade da nova ortografia para 2016 (decidido pela presidenta Dilma Rousseff em dezembro passado) em nada afeta a expansão do idioma, na avaliação de Correia.

“Eu não dou tragédia nenhuma a isso”, disse, se expressando de modo peculiar aos portugueses. “Não é drama nenhum. O acordo não pode ser imposto, tem que ser absorvido pela sociedade e isso precisa de tempo”, defendeu.

Segundo ele, “o que o Brasil fez foi um adiamento do prazo para terminar o processo, mas não interrompeu o processo”, salientou. Para Correia, o governo brasileiro postergou a obrigatoriedade “por razões técnicas”, tais como a necessidade de preparação de livros didáticos e professores.

“O Brasil é um continente. As dificuldades regionais, as assimetrias, a preparação de pessoas, a preparação de manuais em um país que tem a dimensão e a variedade do Brasil são muito grandes. Entendo perfeitamente que por razões técnicas possa ter havido necessidade desse adiamento”.

O adiamento da entrada em vigor do acordo ortográfico no Brasil alimentou os críticos portugueses às regras de unificação da escrita do idioma. É comum em Portugal escritores e colunistas publicarem textos em jornais e revistas com a observação de que não seguem as regras do acordo. “Utilizar isso como argumento antiacordo não é bom para ninguém”, assinalou Eugénio Anacoreta Correia.

“O português hoje não é de Portugal, mas 'também' é de Portugal. Nós temos que acrescentar o 'também'. A grande riqueza que temos na Comunidade de Países da Língua Portuguesa [CPLP] é exatamente a partilha de uma coisa comum. Para que a língua seja de todos, todos temos que ceder", finalizou.

Agência Brasil 

A nova lei do aviso prévio proporcional e sua aplicação aos empregados domésticos

Elaborado em 01/2013.
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a A
Resumo: Este artigo científico tem por objetivo trazer a discussão sobre a aplicabilidade aos empregados domésticos da lei 12.506/2011 que veio regulamentar o aviso prévio proporcional. Para isso, inicialmente traz o conceito de empregado doméstico, em seguida analisa o contexto histórico dos direitos trabalhistas até a atualidade e a aplicação do aviso prévio proporcional sob as diretrizes da lei 12.506/2011. Por fim, procura demonstrar a possibilidade de aplicação da norma regulamentadora do aviso prévio aos empregados domésticos com base em princípios de hermenêutica constitucional inseridos na Constituição Federal de 1988.
Palavras-chave: Aviso prévio proporcional. Regulamentação pela Lei 12.506/2011. Empregados domésticos. Aplicabilidade.

Introdução

O empregado doméstico, por desempenhar serviços dentro das residências, sempre teve certa discriminação no tocante aos seus direitos trabalhistas, sobretudo porque este papel foi dado, por longos anos, aos escravos libertos que passaram a trabalhar para seus próprios ex-senhores, em troca de comida e moradia, já que era uma mão-de-obra sem nenhuma qualificação, destinando-se ao trabalho manual, no qual se insere o serviço doméstico.
Não obstante, desde os primórdios da regulamentação do trabalho juridicamente livre, normas infraconstitucionais foram criadas com o intuito de disciplinar, de forma tímida, os direitos do trabalhador doméstico, até a promulgação da lei 5.859/1972 que regulamentou a categoria destes trabalhadores, o que foi um avanço, mas ainda mostrava-se insuficiente, pois os direitos trabalhistas eram inferiores aos concedidos à categoria dos demais empregados.
Em nível constitucional, apenas a partir da CF/88 foram reconhecidos os direitos do trabalhador doméstico no art. 7º, parágrafo único, que, além de prever os direitos já existentes na legislação infraconstitucional, estabeleceu outros direitos, como, por exemplo, o direito ao salário mínimo, décimo terceiro salário, descanso semanal remunerado, aposentadoria, licença-maternidade, licença-paternidade, aviso prévio proporcional de, no mínimo, 30 dias, dentre outros direitos.
Grande controvérsia surgiu, na época, vez que a maioria destes direitos possuía regulamentação na CLT e esta norma, por expressa disposição, em seu art. 7º, “a”, excluía sua aplicação à categoria dos empregados domésticos, o que, aos poucos, foi pacificado pela edição de novas leis, dando eficácia aos direitos dos empregados domésticos, e pelas interpretações jurisprudenciais feitas pelos tribunais trabalhistas.
Contudo, com a edição da lei 12.506/2011, que veio regulamentar o aviso prévio proporcional previsto no art. 7º, XXI, da CF/88, tal controvérsia voltou ao cenário jurídico, pois a norma em questão veio alterar os comandos previstos na CLT, norma inaplicável aos empregados domésticos por expressa previsão legal, além disso, no caput do art. 1º, mencionou a sua aplicação aos empregados de empresas, termo que não se confunde com empregador doméstico. Com isso, passou-se a defender incisivamente a não aplicação das novas regras do aviso prévio proporcional aos empregados domésticos, ainda que tal direito lhes seja assegurado pela CF/88.
Dentro deste contexto, com a elaboração deste trabalho, visa-se, pois, estabelecer o conceito de empregado doméstico, os seus direitos trabalhistas a partir de uma análise histórica das conquistas desta classe de trabalhadores até a Constituição Federal de 1988 e demais alterações legislativas posteriores, como também avaliar as mudanças que ocorreram na aplicação do aviso prévio proporcional com as regras trazidas pela lei 12.506/2011 e, por conseguinte, fazer uma análise sobre a possibilidade de aplicação das regras contidas na referida norma aos empregados domésticos.

1. Os empregados domésticos

Inicialmente, antes de tratar dos direitos trabalhistas, cumpre estabelecer o conceito de empregado doméstico para fins de enquadramento legal em face dos diversos tipos de trabalhadores que podem se enquadrar nesta situação.

1.1 Conceito

 A palavra “doméstico”, de acordo com o dicionário Aurélio[1], refere-se à casa, vida familiar. Assim, empregado doméstico corresponde aquele que trabalha em residências, lares de família. O conceito legal de empregado doméstico possui previsão no art. 1º da Lei 5.859/72, definindo-se como: “[...] aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas”. A CLT, desde 1943, ao excluir da sua aplicação a categoria dos empregados domésticos, os conceitua como: “[...] os que prestam serviços de natureza não econômica à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas”.
A diferença entre os dois conceitos se dá porque a CLT utilizou o termo “finalidade não econômica” e a lei 5859/72 alterou o conceito, utilizando acertadamente o termo “finalidade não lucrativa”, já que todo trabalho possui finalidade econômica, pois satisfaz, de toda forma, as necessidades da família ou pessoa física contratante.
Para Alice Monteiro de Barros[2]:
Essa lei corrigiu o equivoco cometido pela CLT quando, ao conceituar doméstico, definiu-o como aquele que presta serviço de natureza não econômica à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas (art. 7º, “a”, da CLT). Ora, tais serviços possuem fins econômicos, pois tem em mira a satisfação de uma necessidade, embora não tenham propósitos de lucro. A atividade doméstica cinge-se, portanto, à “economia de consumo de uma comunidade familiar”.
Apesar dos termos acima, percebe-se que os elementos identificadores da relação de emprego doméstico se aproximam, mas não se confundem com os elementos caracterizadores dos demais tipos de empregados, vez que, nesta relação jurídica, o trabalho é prestado sem finalidades lucrativas à pessoa ou a família.
De acordo com Maurício Godinho Delgado[3]: “A noção de finalidade ou efeito econômico do trabalho prestado constrói-se sob a ótica do tomador de serviços (e não de seu prestador). O enfoque desse elemento especial é, desse modo, distinto daquele inerente aos elementos fático-jurídico gerais”.
Assim, o enquadramento legal do empregado como doméstico se dá a partir da análise de quem é seu empregador. Caso seja empregador doméstico, isto é, contrate o trabalho para fins não lucrativos, pouco importa a atividade exercida pelo empregado, consequentemente, se for trabalho intelectual, técnico ou manual, será classificado como doméstico para fins trabalhistas.
Orlando Gomes[4] preleciona que:
A natureza da função do empregado é imprestável para definir a qualidade de doméstico. Um cozinheiro pode servir tanto uma residência particular como uma casa de pasto. Um professor pode ensinar num estabelecimento público ou privado ou no âmbito residencial da família. Portanto, a natureza intelectual ou manual da atividade não exclui a qualidade de doméstico.
Logo, qualquer tipo de profissional pode ser enquadrado como doméstico, desde que preencha os requisitos previstos no conceito do art. 1º, da lei 5859/72, conforme disciplinado acima.

1.2 Direitos trabalhistas

O trabalho doméstico remonta à época da escravidão no Brasil. Entretanto, mesmo com a abolição da escravatura pela lei áurea em 13 de maio de 1888, a maioria dos negros libertos, por serem inexperientes e sem qualificação, continuaram a trabalhar para seus ex-proprietários como empregados domésticos, porém, agora, com direito à retribuição pecuniária.
Contudo, naquela época não existia legislação específica para regulamentar tais contratações, por isso, inicialmente, sua execução foi pautada nas normas do código civil, mais precisamente nas regras sobre locação de mão-de-obra.
De acordo com Homero Mateus[5]:
Durante muitas décadas, não havia tratamento legislativo de nenhuma espécie, relegando a matéria ao velho código civil de 1916, como se fosse uma locação de serviços. Isso representava meramente o direito à contraprestação singela dos serviços prestados, sem beneficiários assistenciais ou garantias contra a dispensa arbitrária.
Mais tarde, o decreto 16.107/1923 veio disciplinar quais tipos de trabalhadores pertenciam ao âmbito doméstico. Segundo Vólia Bonfim Cassar[6]:
O decreto 16.107/23 conceituou os domésticos, incluindo como tais os cozinheiros e ajudantes de cozinha, copeiros, arrumadores, lavadeiras, engomadeiras, jardineiros, hortelões, porteiros, serventes, amas-secas ou de leite, costureiras, damas de companhia, e equiparou alguns trabalhadores, cujos serviços fossem de natureza idêntica aos domésticos mesmo que o trabalho fosse desenvolvido em hotéis, restaurantes, casas de pasto, pensões, bares, escritórios etc. Concedia certos direitos e autorizava a justa causa para os casos de incapacidade decorrente de doença.
Em 1941, foi promulgado o decreto nº 3.078 que restringiu o conceito de empregado doméstico e lhe trouxe previsão de alguns direitos, como, por exemplo, o aviso prévio de 08 dias, entre outros. Conforme Sérgio Pinto Martins[7]:
O decreto-lei nº 3078, de 27-11-1941, tratou do empregado doméstico, dizendo que este era o que prestava serviços em residências particulares mediante remuneração. Tinha direito a aviso prévio de oito dias, depois de um período de prova de seis meses. Poderia rescindir o contrato em caso de atentado a sua honra ou integridade física, mora salarial ou falta de cumprimento da obrigação pelo empregador de proporcionar-lhe ambiente higiênico de alimentação e habitação, tendo direito à indenização de oito dias.
A CLT, editada em 1943, excluiu expressamente a sua aplicação aos empregados domésticos, consoante consta no art. 7º, “a”, da citada norma. Isso foi um retrocesso, sem precedentes, tendo em vista que impediu por longos anos a efetivação de direitos mínimos aos empregados domésticos.
Em 1972, a lei 5.859 veio regulamentar a categoria dos empregados domésticos, o que, em princípio, trouxe certa garantia a tais empregados, porém deixou a desejar. Nas palavras de DELGADO (2011), a regulamentação legal da classe trouxe à categoria dos empregados domésticos um mínimo de cidadania jurídica, porém com valor insignificante, pois lhes concedeu apenas três direitos, quais sejam: férias anuais de 20 dias úteis; anotação da CTPS e inscrição como segurado obrigatório da previdência social.
Em seguida, as leis 7.418/85 e 7.619/87 estenderam aos domésticos o direito ao vale-transporte.
Em nível constitucional, a CF/88 passou a prever os direitos do empregado doméstico no art. 7º, parágrafo único, aplicando direitos já reconhecidos a empregados urbanos e rurais, aos empregados domésticos. Para GODINHO[8]: “A constituição de 1988 garantiu um leque de direitos à categoria muito mais extenso do que todas as conquistas até então alcançadas pelos trabalhadores domésticos”.
A partir de então, os empregados domésticos passaram a ter direito ao salário mínimo; irredutibilidade salarial; décimo terceiro salário; repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; gozo de férias anuais com acréscimo de um terço; licença a gestante de 120 dias, sem prejuízo do emprego e do salário; licença-paternidade; aviso prévio e integração à previdência social[9].
Apesar de a Constituição ter trazido um avanço aos direitos trabalhistas dos empregados domésticos, ainda é insuficiente, vez que o trabalho realizado é igualmente digno aos dos demais empregados, mas isso não é levado em consideração, vez que a lentidão com que o legislador garante direitos aos domésticos lhes impede o exercício pleno da cidadania.
Neste contexto, a lei 11.324/06 trouxe novos direitos aos domésticos e corrigiu algumas distorções que ainda persistiam, no entanto, convém frisar que ainda não é o ideal. Neste sentido, garantiu à estabilidade a empregada doméstica gestante, direito às férias de 30 dias com um terço, repousos em feriados e proibição de desconto de utilidades, como, por exemplo, alimentação, vestuário, higiene e moradia no trabalho.[10]. O FGTS e o seguro-desemprego já haviam sido implementados como opção facultativa do empregador pela lei 10.208/2001.
A preocupação em assegurar trabalho decente e garantir a igualdade de direitos aos empregados domésticos é igualmente demonstrada pela OIT que, em junho de 2011, editou a convenção nº 189, na qual estabelece que os trabalhadores domésticos devem ter os mesmos direitos que os demais empregados. A referida convenção entrará em vigor em 1 (hum) ano, mesmo assim já foi ratificada por países como Filipinas e Uruguai.
Em um ano entrará em vigor a Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos, primeira norma internacional que trata especificamente dos direitos dessa categoria. O documento foi ratificado hoje (5) pelas Filipinas, o segundo país a aderir à norma, depois do Uruguai, que acatou a convenção em junho de 2012. Todas as normas da OIT entram em vigor um ano depois de terem sido ratificadas por dois países. O Brasil ainda não ratificou a convenção, que tramita no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O documento deve passar pela aprovação do Congresso Nacional e ter decreto presidencial para valer nacionalmente e ser ratificada no âmbito da OIT. Não há prazo para que isso ocorra, mas não há obrigatoriedade do país aderir à norma, mesmo após a entrada em vigor da Convenção 189.
Essas normas são obrigatórias apenas aos Estados que ratificarem a convenção – no caso, daqui a um ano, serão vinculantes ao Uruguai e às Filipinas, caso nenhum outro país a ratifique. Se outros membros da OIT adotarem a norma depois desse prazo de 12 meses, as regras estarão vigorando automaticamente.
"A ratificação de hoje por parte das Filipinas envia um forte sinal a milhões de trabalhadores no mundo que estarão protegidos assim que a convenção entrar em vigor. Espero que este sinal também chegue aos outros Estados membros e que logo vejamos mais e mais países assumindo o compromisso de proteger os direitos dos trabalhadores domésticos", disse, em nota, o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.
De acordo com a organização, o setor dos empregados domésticos ainda é insuficientemente regulamentado e, em grande parte, informal. Dados da OIT mostram que há cerca de 53 milhões de pessoas atuando na área. Devido à informalidade e à falta de regulamentação, estima-se que esse número possa chegar a 100 milhões de pessoas.
Na convenção são estabelecidos direitos fundamentais que devem ser comuns a trabalhadores domésticos, como horas de trabalho razoáveis; pagamento de salário mínimo, onde houver; descanso semanal de no mínimo 24 horas consecutivas; esclarecimento prévio sobre termos e condições do emprego, respeito à liberdade sindical e direito à negociação coletiva.
O documento é organizado em 27 artigos, que tratam de definições do termo, direitos humanos e fundamentais do trabalho, proteção contra abusos, condições equitativas, contratos de trabalho, proteção a trabalhadores migrantes, moradia, jornada de trabalho, remuneração mínima, proteção social, medidas de saúde e segurança, agenciamento de emprego doméstico, acesso a instâncias de solução de conflitos e inspeção do trabalho.”[11]
O Brasil, enquanto membro da OIT, se comprometeu a ratificar os termos da referida convenção e a alterar sua legislação para conceder direitos iguais aos já garantidos aos empregados urbanos e rurais. Para isso, no ano de 2011, foi iniciado o processo de ratificação, mas, até hoje, ainda não foi concluído. Vale ressaltar que as convenções internacionais da OIT, quando ratificadas pelo Brasil, passam a ter status de lei ordinária federal, o que, desse modo, obrigará o Brasil a fazer valer o seu texto, sob pena de ter repercussão internacional negativa.
Em compasso com o processo de ratificação da convenção 189 pelo governo brasileiro, tramita perante a câmara dos deputados a PEC 478/2010[12], conhecida como “PEC das domésticas”, de autoria da deputada federal Benedita da Silva e outros, que já teve votação na câmara dos deputados, seguindo para o Senado Federal e, se aprovada, estenderá aos empregados domésticos todos os direitos já garantidos aos empregados urbanos e rurais, pois irá revogar o parágrafo único do art. 7º da CF/88.
Portanto, se aprovado o projeto e/ou ratificada a convenção 189 da OIT, o Brasil estará dando um enorme passo para a plena efetivação dos direitos sociais dos empregados domésticos e lhes garantindo, assim, o total respeito a sua dignidade enquanto trabalhadores. Apesar disso, há opiniões em sentido contrário, pois há quem acredite que a implementação de tais direitos irá gerar um maior índice de desemprego e trabalho clandestino dentro desta categoria.


Saiba quem é Tarcisio Bertone, que assume interinamente o Vaticano

Com saída de Bento XVI, cardeal camerlengo assume suas funções.
Nomeado cardeal em 2003 por João Paulo II, ele é apaixonado por futebol.

Da EFE

Quando um Papa morre ou, no caso excepcional de Bento XVI, renuncia, o governo provisório da Igreja Católica passa para as mãos do cardeal camerlengo, cargo ocupado pelo atual secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, nascido na cidade italiana de Romano Canavese em 2 de dezembro de 1934.
O cardeal camerlengo é o encarregado pela administração dos bens e dos direitos temporários da Santa Sé, ajudado por três cardeais assistentes.
Ele também é o responsável por, se for o caso, confirmar a morte do papa, assinar a ata da morte, selar o apartamento papal no Vaticano, tomar posse do Palácio Apostólico Vaticano e dos palácios Lateranense e de Castel Gandolfo.
Nesta ocasião, o pontífice continua vivo e a primeira ação do camerlengo, depois que Bento XVI deixou o pontificado, será selar o apartamento do pontífice e tomar posse do Palácio Apostólico Vaticano.
O cardeal italiano Tarcisio Bertone reza missa em 9 de fevereiro no Vaticano (Foto: Reuters)O cardeal italiano Tarcisio Bertone reza missa em 9 de fevereiro no Vaticano (Foto: Reuters)
Visto que Bento XVI ficará em Castel Gandolfo e ali não são guardados documentos importantes do pontificado, a residência de verão dos Papas não será selada.
A Constituição Apostólica "Universi Dominici Gregis" estabelece que, enquanto a Sede Apostólica estiver vacante, o colégio de cardeais não tem nenhum poder ou jurisdição sobre as questões que correspondem ao Papa.
Também determina que as leis existentes não podem ser corrigidas ou modificadas e que o dever dos cardeais é tomar decisões urgentes como estabelecer o dia, a hora e como o corpo será transferido à Basílica de São Pedro, além de preparar as exéquias, no caso da morte do Papa.
Quando o Papa morre ou renuncia, todos os chefes dos conselhos pontifícios e inclusive o secretário de Estado perdem os seus cargos. Só permanecem o camerlengo, o penitenciário maior e o vigário de Roma.
Nesta ocasião, o secretário de Estado é também o camerlengo.
Trajetória
O cardeal Bertone, nascido na cidade piemontesa de Romano Canavese, no norte da Itália, no dia 2 de dezembro de 1934, é o quinto de oito irmãos.
Membro da Sociedade de São Francisco de Sales de São João Bosco (Salesianos), Bertone é formado em Teologia pela Faculdade salesiana de Turim e obteve o doutorado em Direito Canônico no Pontifício Ateneu Salesiano.
No dia 1º de julho de 1960, foi ordenado sacerdote e, posteriormente, se doutorou em Direito Público Eclesiástico, Teologia Moral e Direito Canônico em Turim e Roma. Foi professor na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma.
Desde a década de 1980, foi consultor de diversos dicastérios da Cúria Romana, especialmente da Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício.
Colaborou na revisão do Código do Direito Canônico, publicado em 1983.
Nomeado arcebispo de Vercelli em 1991, no dia 13 de junho de 1995 renunciou ao governo pastoral da arquidiocese ao ser designado secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.
Neste dicastério, Bertone se tornou um estreito colaborador do Papa Emérito Bento XVI, o então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da citada Congregação.
Entre outros assuntos, ele se encarregou do caso do arcebispo africano Enmanuel Milingo, ameaçado de excomunhão após se casar com uma coreana pela seita do reverendo Moon.
Além disso, publicou a terceira parte do "segredo" de Fátima, durante o Jubileu de 2000 e, junto com o cardeal Ratzinger, estudou a documentação sobre os escândalos relacionados com abusos sexuais supostamente atribuídos a sacerdotes e clérigos americanos.
No dia 10 de dezembro de 2002, foi nomeado arcebispo de Gênova, e em 21 de outubro de 2003, foi ordenado cardeal no nono e último consistório convocado por João Paulo II dois anos antes de sua morte.
Participou do Conclave do dia 19 de abril de 2005, que elegeu Bento XVI. O pontífice o designou como Secretário de Estado (primeiro-ministro) no dia 22 de junho de 2006, substituindo o cardeal Angelo Sodano.
Em 4 de abril de 2007 foi nomeado camerlengo, depois que o Papa aceitou a renúncia do espanhol Eduardo Martínez Somalo, que tinha completado 80 anos.
Apaixonado por esporte, especialmente futebol, ele comentou partidas para algumas redes de televisão italianas.
Com renúncia de Bento XVI, começa oficialmente o período de Sé Vacante

A partir de agora, ele é Papa Emérito, e conclave escolherá seu sucessor.
'Sou um simples peregrino', disse ele na despedida em Castel Gandolfo.

Do G1, em São Paulo

Membro da Guarda Suíça fecha as portas da residência papal de verão, em Castel Gandolfo, para marcar o fim do pontificado de Bento XVI, nesta quinta-feira (28) (Foto: AP)Membro da Guarda Suíça fecha as portas da residência papal de verão, em Castel Gandolfo, para marcar o fim do pontificado de Bento XVI, nesta quinta-feira (28) (Foto: AP)
A renúncia do Papa Bento XVI começou a valer oficialmente às 20h desta quinta-feira (28) no Vaticano, 16h de Brasília.
Começa assim o período da Sé Vacante, em que a Igreja Católica fica provisoriamente sem líder -geralmente por conta da morte de um Papa e, neste caso excepcional da renúncia.
 A guarnição da Guarda Suíça que acompanhou Bento XVI à residência papal de Castel Gandolfo se retirou do local, e a bandeira papal branca e amarela foi abaixada.
A partir desse momento, a segurança de Bento XVI está garantida pela Gendarmaria Vaticana.
Os aposentos papais no Vaticano também foram trancados, e só voltarão a ser ocupados pelo próximo pontífice.
O site do Vaticano também registrou a situação de Sé Vacante.
Durante a Sé Vacante, os assuntos da igreja ficam sob a responsabilidade do Camerlengo. O atual Camerlengo é o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.
Papa Emérito
Bento XVI deixou o Vaticano cerca de três horas antes rumo à residência, onde deve ficar cerca de dois meses.
Depois desse período, o agora Papa Emérito, que vai continuar usando o nome de Bento XVI, vai se estabelecer em um mosteiro no Monte do Vaticano, que está sendo reformado para recebê-lo.
Conclave
Agora, os cardeais se organizam para escolher o sucessor, após os oito anos de pontificado de Bento XVI, marcados por controvérsias e escândalos.
O decano do Colégio Cardinalício, Angelo Sodano, deve convocar formalmente nesta sexta-feira, o conclave. A primeira reunião preparatória  para definir a data de início deve ocorrer na próxima segunda, 4 de março, disse informalmente o cardeal de Nápoles, Crescenzio Sepe.
O Papa Bento XVI acena para os fiéis da sacada da residência de Castel Gandolfo, pouco após deixar o Vaticano nesta quinta-feira (28) (Foto: Reuters)O Papa Bento XVI acena para os fiéis da sacada da residência de Castel Gandolfo, pouco após deixar o Vaticano nesta quinta-feira (28) (Foto: Reuters)
'Peregrino'
Ao chegar à pequena vila de Castel Gandolfo, a 30 quilômetros de Roma, Bento XVI disse aos fiéis que o esperavam que agora não é mais pontífice, "mas um simples peregrino encerrando seu caminho nesta terra".
"Obrigado por sua amizade e seu afeto. Como vocês sabem, hoje é um dia diferente dos anteriores. Eu só serei o Sumo Pontífice da Igreja Católica até as 20h. Depois disso, serei simplesmente um peregrino que está começando a fase final de seu caminho nesta terra", disse o alemão Joseph Ratzinger, de 85 anos, da sacada, antes de se recolher ao edifício.
Bento XVI tinha deixado o Vaticano, em um helicóptero da Força Aérea Italiana, às 17h07 locais (13h07 de Brasília).
Antes de embarcar, o pontífice recebeu adeus no Pátio de São Damásio de um grupo da Guarda Suíça e de seus colaboradores da Secretária de Estado. Ele estava de carro, acompanhado de seu secretário, Georg Gänswein.
Os sinos do Vaticano e de todas as basílicas de Roma soaram durante a decolagem do helicóptero, sob aplausos de cardeais, outros religiosos e fiéis.
Renúncia surpreendente
O pontífice alemão havia anunciado em 11 de fevereiro que, no dia 28, renunciaria ao cargo. O anúncio, inédito na história recente da Igreja Católica, foi considerado surpreendente.
Bento XVI argumentou que, por conta da idade avançada, não tinha mais forças para liderar a Igreja Católica, após 8 anos de um mandato que, segundo ele próprio, teve "águas agitadas", como o escândalo do VatiLeaks e as investigaçõeso de casos de pedofilia envolvendo o clero em vários países.
arte trajetória papa bento (Foto: 1)
Cardeais
Na manhã desta quinta, Bento XVI prometeu "incondicional reverência e obediência" ao seu sucessor no Trono de Pedro, ao falar brevemente no seu encontro de despedida com os cardeais.
"Continuarei próximo a vocês em oração, especialmente nos próximos dias, em que elegem o novo Papa, ao qual hoje declaro incondicionais reverência e obediência", disse.
Bento XVI também apelou para que a Igreja Católica permaneça unida, reiterando um apelo que fez várias vezes ao longo de suas aparições públicas desde o dia 11.
O Papa destacou a proximidade, a solidariedade e os conselhos que recebeu dos cardeais em seus oito anos de governo.
"Nestes anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiante no caminho da Igreja, ao lado de momentos nos quais as nuvens se condensavam no céu. Tentamos servir a Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total, que é a alma de nosso Ministério", disse.
Bento XVI afirmou ainda que o Colégio Cardinalício deve ser "como uma orquestra, na qual a diversidade possa levar a uma harmonia de concórdia".
"Permaneçamos unidos, queridos irmãos, nas preces e especialmente na eucaristia. Assim servimos à Igreja e a toda à humanidade. Esta é nossa alegria, que ninguém nos pode tirar", disse.
Bento XVI disse ainda que a Igreja não é uma "instituição inventada por alguém, construída sobre uma mesa, mas uma realidade viva, que vive se transformando, embora sua natureza continua sendo sempre a mesma, já que sua natureza é Cristo".
'Gratidão'
Os cardeais, representados pelo decano do Colégio Cardinalício, Angelo Sodano,  expressaram sua "gratidão" a Bento XVI por seus anos de pontificado. Sodano disse que Bento XVI foi um "exemplo".
Cerca de 144 cardeais participam do encontro, na Sala Clementina, no Vaticano, segundo Federido Lombardi, porta-voz do Vaticano.
Eles receberam Bento XVI com um aplauso de despedida. Depois, os cardeais se despediram separadamente do pontífice, beijando sua mão.
Alguns cardeais deram presentes ao Papa, segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Ele não detalhou quais foram os presentes.