Apesar do crescimento populacional, a taxa de alfabetização entre negros no Estado reduziu, conforme dados do IBGE.
Nathielle FerreiraKleide TeixeiraSuperação: Francisco Lindolfo superou as dificuldades, e aos 16 anos está ingressando no ensino médio
Menos negros estão sendo alfabetizados na Paraíba. Esta é a constatação
do Censo Demográfico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Em 10 anos, a quantidade de pessoas
dessa raça aumentou no Estado, mas a taxa de alfabetização entre elas
caiu.
Em 2000, a Paraíba tinha 128.503 habitantes com mais de cinco anos e que se autodeclararam serem pertencentes a essa etnia.
Destes, 74.384 sabiam ler e escrever, o que representava 57,89% do
total. Dez anos mais tarde, a parcela dessa população subiu para
143.349 indivíduos, sendo que 60.781 eram alfabetizados. O percentual
foi de 42,40%.
Para a assistente social e mestranda em Ciências Jurídicas, Terlúcia
Silva, a queda é motivo de preocupação e reflete a ausência de políticas
públicas para a área. Ela é coordenadora da Bamidelê, uma Organização
Não Governamental (ONG) que defende os direitos da população negra e
explica que existem muitas iniciativas públicas para inserir a criança
negra na escola, mas faltam incentivos para mantê-la no local.
“No Brasil, existem cerca de 14 milhões de analfabetos e, destes,
nove milhões são negros. É uma realidade de muitos anos e que não vem
sendo alterada. Na Paraíba, a alfabetização caiu justamente numa década
onde ocorreram avanços em outras áreas da vida do negro”, conta.
“A educação é principal via de acesso para a mobilidade social do
estudante negro. Se não há avanço nessa área, a situação fica
preocupante”, acrescenta.
A pesquisadora explica que a população negra ainda é mais ausente das
salas de aulas porque é a etnia ainda mais pobre em relação às outras
raças. “Desde criança, o aluno negro já enfrenta dificuldades para
estudar. Seja pelo preconceito e discriminação que sofre na escola, seja
pela necessidade de trabalhar para ajudar em casa, seja pelas condições
de moradia, onde não há espaço para lazer ou diversão”, observa.
“Para agravar ainda mais a situação, o aluno encontra na escola uma
educação padrão, que é aplicada de forma igual para todos os alunos,
independente das deficiências educacionais e contexto socioeconômico
deles. Tudo isso se torna numa série de dificuldades que elevam os
índices de evasão escolar entre os negros”, afirma Terlúcia.
Para a coordenadora do Bamidelê, faltam políticas educacionais
voltadas para beneficiar os negros. “Por ser mais pobre, o aluno negro
precisa trabalhar e não tem condições de se dedicar com exclusividade
aos estudos. Mesmo que também seja pobre, o branco não vai sofrer o
preconceito que o negro sofre. A escola tem que ter a consciência de que
é preciso ter um ensino diferenciado e combater o preconceito. Mas o
que vemos é que muitos professores não investem nos alunos negros por
acreditar que eles não terão futuro”, declara.
http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/96054_cai-numero-de-negros-alfabetizados-na-pb
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