Defesa irá ao STF para provar que não houve dinheiro público no mensalão
Advogados de sócio de Valério reuniram
documentos para derrubar condenação por peculato; decisão favorável
pode gerar ‘efeito cascata’ e beneficiar todos os envolvidos
Ricardo Galhardo, iG São Paulo |
A defesa do publicitário Ramon Hollerbach vai apresentar
ao Supremo Tribunal Federal um calhamaço de notas fiscais, planilhas e
contratos com o objetivo de convencer os ministros de que os serviços
contratados pela Visanet e pela Câmara Federal junto à DNA Propaganda e
SMP&B foram usados efetivamente na prestação de serviços de
publicidade.
Os advogados pretendem derrubar a versão aceita pelo STF de que houve desvio de dinheiro público no mensalão
, um dos pilares da tese de que o esquema usava recursos do governo para comprar votos no Congresso.
Agência Estado
Ramon Hollerbach foi condenado a mais de 29 anos de prisão no julgamento do mensalão
Segundo o Supremo, o governo usou a Câmara e o Banco do
Brasil (controlador da Visanet) para drenar milhões de reais em dinheiro
público em direção às contas do empresário Marcos Valério de Souza,
sócio da DNA e da SMP&B. Leia mais: STF rejeita ampliar prazo para recurso do mensalão Especial do iG: Veja as penas dos 25 condenados no mensalão Leia todas as notícias sobre a cobertura do julgamento no STF
Hollerbach, sócio de Valério, foi condenado a 29 anos e
sete meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de
dinheiro, evasão, formação de quadrilha e peculato. Se os advogados
conseguirem convencer os ministros do STF de que não houve dinheiro
público no esquema, cai a acusação por peculato.
Apenas cinco pessoas foram condenadas por peculato no
julgamento do mensalão (Hollerbach, Valério, Henrique Pizzolato, João
Paulo e Cristiano Paz). Advogados de outros condenados acreditam, porém,
que se o crime de peculato cair pode haver uma espécie de efeito
cascata que beneficiaria todos os envolvidos.
Segundo os defensores, se o Supremo aceitar que não houve
dinheiro público no esquema, estarão criadas as condições para uma
revisão criminal, mecanismo que é usado quando novos fatos surgem depois
da sentença e pode levar até à anulação do julgamento.
O alvo principal da defesa é um trecho do voto do
ministro Joaquim Barbosa pela condenação dos acusados por peculato.
“Transferências feitas mediante antecipações, pelas quais o banco (do
Brasil) repassou gratuitamente quase R$ 74 milhões para a conta da DNA
propaganda, sem que a agência tivesse prestado qualquer serviço”, disse
Barbosa. Barbosa: Penas do mensalão serão aplicadas até 1º de julho Mensalão: Decisão de Barbosa contra prisão imediata evita nova crise no STF Novo bate-boca marca fim do julgamento do mensalão após mais de quatro meses Julgamento do mensalão deixa herança para crimes de corrupçã
o
Segundo advogados, o entendimento de Barbosa norteou os votos dos demais ministros e é um dos pilares de todo o julgamento.
“O que nós queremos é mostrar de onde o dinheiro saiu,
por onde passou e onde terminou para provar que não houve desvio de
dinheiro público”, disse Hermes Guerreiro, advogado de Hollerbach.
Entre os documentos arrolados pela defesa estão notas
fiscais emitidas pela DNA e SMP&B em favor da Visanet e da Câmara,
recibos de transferências bancárias, contratos de prestação de serviços,
fotografias dos displays, cartazes e demais peças publicitárias
confeccionados pela agência e até guias de recolhimento de impostos.
–Também serão apresentadas dezenas de páginas com as
planilhas de mídia nas quais as agências detalham centavo por centavo as
datas, valores e destinatários do dinheiro pago pela Visanet. As
planilhas vêm acompanhadas por mais notas fiscais e recibos de
transferências bancárias feitas pela agência para diversos jornais,
revistas, rádios e emissoras de TV que veicularam as campanhas
publicitárias da Visanet e da Câmara.“Estes documentos mostram que o tribunal errou. O STF
tinha condições de saber que os serviços foram prestados, mas não quis
saber”, disse GuerreiroOs documentos serão apresentados na fase dos embargos de
declaração e embargos infringentes, cujo prazo legal é de cinco dias
depois da publicação do acórdão, o que só acontecerá depois da revisão
dos votos de todos os ministros. Segundo a assessoria do STF, ainda
falta a revisão do voto de um dos ministros.
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