Morte de Chávez deixa vazio na esquerda da América Latina
Influência de presidente venezuelano
era sentida nos países latino-americanos, muito em parte por causa do
petróleo; especialistas não enxergam um sucessor regional para Chávez
Mulheres acendem velas em memória a Hugo Chávez em Santo Domingo, República Dominicana (5/3)
Reação regional: Líderes latino-americanos lamentam morte de Chávez Brasil: 'Morreu um grande latino-americano', diz Dilma sobre Hugo Chávez
Sua influência foi sentida em toda a região, das pequenas
ilhas do Caribe à empobrecida Nicarágua, na América Central, passando
por economias emergentes como Equador e Bolívia e os pesos pesados da
América do Sul, Brasil e Argentina, onde ele encontrou o apoio de
governos próximos.
Sem a sua presença ideológica, a influência da Venezuela
deve diminuir e o peso da economia brasileira poderia preencher a lacuna
no realinhamento diplomático da região. Galeria de fotos: Veja trajetória de Hugo Chávez em imagens EUA: Após morte de Chávez, Obama diz buscar relação construtiva com Venezuela
Chávez, 58 anos, deixa um legado misto de problemas
econômicos e a polarização política venezuelana, mas, para muitos
latino-americanos e caribenhos, ele ofereceu ajuda financeira e deu voz
às aspirações regionais de superar mais de um século de influência dos
EUA.
"Ele usou seu dinheiro do petróleo para construir boas
relações com todos", disse Javier Corrales, cientista político dos EUA e
especialista em Venezuela, da Amherst College.
A riqueza de petróleo também transformou a Venezuela em
um grande importador de bens da região. "Sua conta de importação era tão
grande que ele se tornou um grande parceiro comercial. É por isso que
suas relações eram tão boas", disse Corrales. Lula: 'Chávez continuará 'iluminando o futuro da Venezuela'
Entre 2008 e o primeiro trimestre de 2012, a Venezuela
forneceu US$ 2,4 bilhões em ajuda financeira à Nicarágua, de acordo com o
banco central da Nicarágua - uma quantia enorme para uma economia no
valor de apenas US$ 7,3 bilhões em 2011. Na era Chávez: Comércio com a Venezuela quadruplica e fica favorável ao Brasil
A Venezuela fornece petróleo em condições muito
preferenciais para 17 países sob sua iniciativa Petrocaribe, e se juntou
a projetos para produzir e refinar petróleo em países como Equador e
Bolívia.
Chávez também ajudou a Argentina a sair da crise
econômica, comprando bilhões de dólares em títulos enquanto o país
lutava para se recuperar de um enorme calote da dívida. "Quando a crise
de 2001 colocou em risco 150 anos de construção política, ele foi um dos
poucos que nos deu uma mão", afirmou o ex-chefe de gabinete do governo
da Argentina, Aníbal Fernández, no Twitter. Criador de blocos
Em Cuba, dois terços do petróleo vem da Venezuela em
troca dos serviços de 44 mil profissionais cubanos, a maioria da área
médica. Combinando com investimentos generosos da Venezuela, isso ajudou
Cuba a sair dos dias negros do "Período Especial" que se seguiram ao
colapso em 1991 da União Soviética. Governo: Saiba mais sobre o círculo de poder chavista
Chávez era pessoalmente e politicamente próximo ao
ex-líder cubano Fidel Castro, com quem planejou a promoção de governos
de esquerda e a solidariedade latino-americana contra o inimigo
ideológico EUA.
Juntamente à Petrocaribe, Chávez incentivou a
criação do bloco de esquerda Alba, a Aliança Bolivariana para os Povos
da nossa América, e da Celac, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e
Caribenhos, ambas voltados para a integração regional e a redução da
influência dos EUA no hemisfério.
Veja a reação do povo nas ruas da América Latina:
Menina leva faixa com a frase: 'Comandante Chávez, presidente' em praça de São Salvador, El Salvador (5/3). Foto: Reuters
Sucessão: Maduro assume interinamente; Venezuela convoca nova eleição em 30 dias
"Chávez era um líder regional com a Alba e a Celac, mas a
Alba está em um processo de deterioração gradual. Em parte como a saúde
de Chávez se deteriorou, assim está a Alba", disse Frank Mora,
ex-subsecretário adjunto de Defesa para Assuntos do Hemisfério Ocidental
no primeiro governo do presidente dos EUA, Barack Obama.
"Para mim, é difícil acreditar que alguém como Rafael Correa ( presidente equatoriano
) ou Raúl Castro ( líder cubano
) possa pegar o manto que está sendo deixado pela ausência de Chávez e
manter o mesmo nível de apoio e vibração que estes relacionamentos e
organizações antiamericanas e bolivarianas tinham."
Nenhum comentário:
Postar um comentário